Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Phelipe Peregrino em Sex Fev 14, 2014 7:58 am

Silêncio. Interminável e gutural, como contemplar o abismo do inferno. Seu coração pulsava e se retorcia, implorando para que a vibração do celular em suas mãos percorresse seu braço, liberando aquela sensação de alívio que ele tanto procura.

E então...

VOCÊ TEM 1 NOVA MENSAGEM

Ele a abriu como um viciado na fissura atrás da próxima doze.

De: NÚMERO RESTRITO
FAÇA EXATAMENTE O QUE EU DIGO E TUDO FICARÁ BEM. EM 28 SEGUNDOS, JUDITH VAI SE SENTIR MAL. O DETETIVE TUTOULA VAI SE OFERECER PARA AJUDAR. VÁ COM ELES.


Mas o quê?! Isso deveria ser um tipo de piada sem graça. Judith parecia bem, pelo que estava acontecendo. Assustada, sim, mas... Estava se recompondo. Ainda assim, começou a fazer as contas... Quantos segundos se passaram? 18? 19? Não mais do que 20, tinha certeza. Respirou fundo e olhou para Judith.

25... 26... 27...

Judith: Eu não me sinto bem. - Ela se levantou e colocou Melaine no colo de forma vacilante, como se lutasse contra um poderoso instinto materno que grita em seu ouvido "não deixe sua cria". - Eu.. Preciso de ar. - Tentou dar um passo, mas vacilou e quase caiu.

Melaine: Mamãe?

Fin Tutuola: A senhora está bem? - Ele se aproximou, e Alan não pode deixar de notar aquela forma "das ruas" que o detetive exibia em cada sílaba pronunciada. - Acho melhor tirar vocês duas daqui. Pode acreditar, se tiver algo há ser feito, o Elliot vai fazer...

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Scorpion em Sex Fev 14, 2014 11:18 am

Mas quê…
Judith começava a sentir-se mal. Alan lembrou-se de quando estava grávida e enjoava com o cheiro de seu perfume da CK, com o cheiro dos bifes que ele fritava, quando ainda não podiam ter empregada e ALan era um escritor falido e insistente, do cheiro do sorvete de flocos que ela tanto adorava… Alan quase esboçou um sorriso ao ver o quanto sua mulher… ex-mulher era linda e maternal. Mas a realidade voltou como um soco invisível e Alan tornou a interagir no local.
AF: Olhe tudo isso que você está causando, senhor agente especial! Se minha mulher tiver um pirepaque aqui, eu juro…
Alan ajudou Judith a se apoiar, segurando-a pela cintura, de forma carinhosa e preocupada.
AF: Judy… venha. Você precisa respirar.
Então olhou para o detetive Tutuola.
AF: Minha mulher… ex-mulher precisa respirar e de um copo com água. Vai por mim, você não vai querer que ela vomite tudo aqui.
Alan fez carinho na cabeça da filha e da ex-esposa.
AF: Calma, queridas. Tudo vai ficar bem… eu prometo.
Então, Alan acompanhou os três.

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Phelipe Peregrino em Sex Fev 14, 2014 1:04 pm

Detetive Fin levou os Fraid (ainda que uma delas não mais atendesse de tal forma) para a confortável cafeteria da delegacia, sob os olhos vigilantes e rigorosos do Detetive Elliot que viu, na ação uma forma de ganhar tempo, tão boa quanto qualquer outra. Judith tomou um copo com as duas mãos mas, antes, deu à Melaine para beber para, só então, beber ela mesma, um gesto tão terno e maternal que, em outras circunstâncias, teria levado um largo sorriso ao rosto de Alan. Não agora, porém. Agora ele apertava o celular entre os dedos tentando sentir a vibração que denunciaria a chegada da próxima mensagem.

VOCÊ TEM 1 NOVA MENSAGEM

Disfarçou de forma hábil. Quase sentiu que estava ficando bom nisso.

De: NÚMERO RESTRITO
DIGA AO DETETIVE QUE PRECISA SE AFASTAR PARA ATENDER. DIGA A MICHELLE QUE AGORA NÃO É UMA BOA HORA, E VÁ CAMINHANDO ATÉ A MESA VAZIA NO CANTO DA SALA.


Afastar para atender? Dizer à Michelle?! Mas o que isso queria dizer?

Foi quando, novamente, seu telefone começou a vibrar e o display do identificador de chamadas mostrou: "Michelle". Tudo estava ficando mais e mais confuso. Olhando ao redor, não foi difícil achar a única mesa vazia na delegacia. Sentiu uma curiosa adrenalina tomar conta do seu corpo.

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Scorpion em Sex Fev 14, 2014 1:10 pm

Cada vez mais estranho aquilo estava se tornando. Quem era aquela pessoa misteriosa? Teria ela algo a ver com o desaparecimento de Melaine, 7 anos atrás? Saberia ela algo sobre o não envelhecimento da filha?
Alan passava a mào na cabeça de Judith, como se quisesse acalmá-la.
AF: Tudo vai ficar bem. Eu… BIIIIIP BIIIIP! eu preciso atender.
Alan andou até o canto da sala e atendeu o telefone. Era mesmo a voz de Michele.
Michele: Alan? O que…
AF: Não é uma boa hora, Michele. Não me ligue mais até que eu ligue pra você.
Michele: Alan, e…
Alan desligou a ligação e caminhou até a mesa do canto. Os passos pesados e um frio na barriga que até secava a boca. O que viria a seguir?
Ele parou próximo à mesa do canto e ficou roçando o dedo sobre ela, como se esperasse algo...

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Phelipe Peregrino em Sex Fev 14, 2014 1:29 pm

Michelle: Alan, aonde você--

Alan Fraid: Não é uma boa hora, Michele. Não me ligue mais até que eu ligue pra você.

Michelle: Mas, Alan--

Bip.

Desligou ao mesmo tempo em que seus passos o levaram até a mesa de canto. Haviam papéis e fotos espalhadas, algum jovem policial, pelas fotos. Não era importante.

VOCÊ TEM 1 NOVA MENSAGEM

Seu bem-feitor anônimo. Preciso como um relógio.

De: NÚMERO RESTRITO
ABRA A TERCEIRA GAVETA. COLOQUE-A EM CIMA DA MESA. NÃO SE PREOCUPE: NINGUÉM VAI VER.


Colocar o quê em cima da mesa?! Alan olhou ao redor e sentiu que era seguro abrir a gaveta levemente. Não foi preciso abrir muito para ver do que a mensagem se referia: Uma Glock 9mm.

Isso era insano, como ninguém veria ele pegar uma arma no meio da delegacia?! Uma arma policial! Ele seria visto, com certeza!

Foi quando um som forte veio do outro lado da delegacia. Três policiais se esforçavam para fazer um homem entrar pela porta. Um homem negro de, provavelmente dois metros de altura. Era forte como um touro e, sem dúvida, fazia barulho como tal.

Era isso! A chance que precisava se apresentou diante dos seus olhos.

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Scorpion em Sex Fev 14, 2014 3:32 pm

Droga! Uma arma! Allan enrijesceu! A única vez que pegou uma arma na vida foi há poucos minutos atrás, quando roubou a da detetive Olivia. Allan titubeou, como se não soubesse como segurar aquele artefato.
Foi quando uma barulheira enorme começou e um homem arrastado por policiais entrava gritando e resistindo à prisão.
As atenções foram chamadas, as cartas estavam postas na mesa. Alan só precisava seguir as instruções, mas… até quando? E se a mensagem o mandasse roubar, agredir… matar?! Alan estaria disposto a chegar neste ponto?
O joven escritor olhou para trás e viu Judith abraçada com sua filha…
SIM!
Alan encheu-se de coragem até o último fio de cabelo e, como o detetive James Carlton, o personagem principal de seus livros de horror, Alan parecia saber exatamente o que fazer. Ele tirou um lenço de seu bolso, como Jimmy Carlton fez em "Corrida Infernal" e agarrou a arma, evitando que suas digitais ficassem na arma. Então, ele colocou a arma sob a mesa e virou-se lentamente para observar a situação. O preso ainda gritava e fazia barulho… Alan olhou sua filha e sua ex-mulher, que ainda a amava, mesmo que ela parecesse odiá-lo. Alan cerrou os olhos, como se estivesse disposto a tudo… ele olhou o celular. Qual era a próxima mensagem?

BBBIIIIIPPPPP! BBBIIIIIIIPPPPPP!

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Leo Rocha em Sab Fev 22, 2014 3:25 pm

Arrow Justo quando ele, em rede nacional, disse pra todo mundo que o demônio arrastou sua filha...O demônio mandou ela de volta!

Eu realmente detestava admitir isso, mas estava mais uma vez envolvido na teia tecida pelo Aranha. Sua voz grave dava um tom particular às histórias que ele contava com tom quase teatral. Ele havia jogado a bomba e agora nos olhava esperando que mordessemos a isca. Mais uma vez eu tenho que admitir que ele está certo. Eu o olho e digo:

 Arrow Se vai nos contar mais uma de suas histórias, então pelo menos nos ofereça um café, homem!

Ele sorri. Esse é o atestado de que ele tem nossa atenção. Mulder olha para mim e tenta cochichar algo como "agora que ele não para...". Eu apenas dou de ombros e digo:

 Arrow Quero a versão verdadeira da história, Aranha. Não a dos irmãos Grimm...

Ele então traz o café em três canecas e começa a falar. A história é rica em detalhes e mistério. Duas especialidades do Aranha. Assim que ele termina, eu coço o queixo e digo:

 Arrow Certo.. Nós vamos dar uma olhada nisso. Só espero que valha a pena. Eu tinha um encontro hoje com uma legista linda que conheci e terei que cancelar por conta disso...

******************************
Após a despedida do Aranha, seguimos para o carro. Mulder entra no lado do carona e eu me sento ao volante. Eu realmente estava intrigado com relação à história da garota que não cresceu em sete anos desaparecida. A criança do demônio... A inspiração para idiota escrever um livro onde diz que sua filha sumida foi levada pelo capeta. Isso realmente parece meu tipo de arquivo x. Eu estava perdido nesses pensamentos. Tanto que não percebi Mulder mexendo no rádio do carro até ouvir a música que ele colocou:



Eu olho para a cara dele e vejo o sorriso. O safado devia estar guardando isso há um tempo pra usar.

 Arrow Tá de sacanagem... Você tá andando com essa porcaria há quanto tempo?

 Arrow Mais ou menos dois meses, mas valeu a pena!

 Arrow Bom saber que você tem aproveitado bem seu tempo de folga... Só espero que você não resolva se cobrir com um lençol e imitar um fantasma na próxima vez porque isso seria o fundo do poço...

 Arrow É meu amigo.. Acho que vou ter que inventar um plano novo. Você acabou de desmascarar a minha próxima peça.

Nós dois rimos enquanto eu dirijo até a delegacia. Chegando lá fazemos o procedimento padrão de nos identificarmos e ouvimos a informação de que outros agentes do FBI estariam lá. Eu olho para Mulder, e digo:

 Arrow Que bom. Então acho que seria interessante encontrarmos nossos colegas. Pode nos levar até eles?


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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Drako em Seg Fev 24, 2014 10:24 pm

Estou por alguns minutos tentando arrumar tempo, mas parece impossível. Ouw diz que não pode esperar, e que vai levar a menina de qualquer jeito.  Ainda me irrito com a forma como ele me chama de filho.

O velho me diz que está me livrando de um problema daqueles, e no fundo eu acredito. Ele põe a mão em meu ombro e quase me convence de que está certo, que estava tudo bem levar a garota. Por alguns segundos essa ideia me passa pela cabeça. Até que minha consciência me trás de volta.

Não, ele não vai leva-la.

Tiro sua mão de meu ombro, olho fixamente ao seu rosto.

Elliot:
Desculpe, Senhor Ouw, mas não vai levar ninguém daqui até a minha advogada chegar.


Última edição por Asa Noturna em Ter Fev 25, 2014 10:22 pm, editado 1 vez(es)

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Nasinbene em Ter Fev 25, 2014 8:48 pm

Puta que pariu... Tá acontecendo de novo... TA TUDO ACONTECENDO DE NOVO! Eu pisco forte, esfrego os olhos mas está ali... Bem na minha frente, acontecendo tudo outra vez. Não sei que merda ta acontecendo, mas to vendo minha filha arder diante dos meus olhos de novo. O mesmo pavor, o mesmo cheiro repugnante de carne queimada... Os gritos... Meu Deus, os gritos... Ecoam como sinos, ressoando na minha mente como uma sinfonia de sinos vindos dos confins do inferno...
Na periferia dos meus sentidos, eu sinto o estranho se aproximando, me perguntando como eu estava... Ele e o John...
Não basta a ressaca, ainda tem essas visões me lembrando do porque eu comecei a beber anos atrás.
Não consigo responder nem a John nem ao estranho. O chão vira geleia e não consigo mais me sustentar. Caio de joelhos, aos pés daqueles dois e vomito copiosamente tudo que eu havia comido e bebido até então. Não adiantou nada meu esforço anterior...
Estou sem reação, completamente... sinto meus olhos arderem e antes que eu perceba, sinto as lágrimas vincando meu rosto...

- Alguém, por favor faça parar... Eu não consigo viver isso de novo, façam parar...

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Phelipe Peregrino em Seg Mar 10, 2014 1:53 pm

Elliot: Desculpe, Senhor Ouw, mas não vai levar ninguém daqui até a minha advogada chegar.

Elliot falou com a firmeza que tantos anos lidando com todo tipo de escória lhe deu. Em sua voz, ele encerrava a questão. Era o agente da SVU, a linha de defesa daqueles que realmente eram as faces mais indefesas da sociedade podre que o mundo poderia dar à luz. Sim. O detetive Elliot Stabler vira, várias vezes, o quanto esse mundo poderia ser cruel... Com o passar do tempo, alguns poderiam pensar, o sujeito vai se tornando mais resistente à essas coisas. Entorpecido. Não era verdade. Elliot vivia isso. Com o passar do tempo, você vai se tornando mais indignado... Mais furioso. Uma raiva que te faz querer puxar o gatilho... Sempre.

Ouw: Tudo bem, filho... - O homem limpou a garganta. Pareceu, pela primeira vez, ter se convencido de que Elliot não iria ceder. Ele olhou ao redor, como se procurasse por algo, um lugar para sentar, talvez? - Tudo bem. Vamos fazer do seu jeito. Vou esperar sua advogada, e vamos ver o que ela vai dizer...

***
"E agora?"

A pergunta tamborilava pela cabeça de Allan Fraid como uma bateria de uma banda de trash metal. Um som violento e zombeteiro que culminava com um sorriso que dizia: "seu idiota, acreditou numa msg de celular. Caralho, como você é retardado!" E ele se obrigava a sacudir a cabeça para afastar tais pensamentos.

"Vibra, celular desgraçado!" ele apertava o aparelho contra os dedos, sentindo o suor escorrer pelo seu rosto, a glock 9mm que ele mesmo havia colocado sobre a mesa brilhava uma feroz luminosidade negra e parecia convergir toda a atenção. Ele tentava desviar o olhar, fazer sua melhor cara de "quem, eu?" mas era impossível. "vibra, porra!".

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***
Mac: Alguém, por favor faça parar... - Ele caiu de joelhos sentindo a agonia torturar seu âmago. - Eu não consigo viver isso de novo, façam parar...

John Locke: Mac, cê tá legal?

????: Acalme-se, Mac. - O homem de sotaque grego o ajudou a se levantar e, Mac sentiu-se leve como uma criança diante da força daquele senhor que, ele juraria, beirava os 50 anos de idade. - Não é real. São só lembranças.

John Locke: Mas do que caralhos cê está falando? - John, então, aproximou-se para tentar apoiar Mac no chão, empurrando o homem com prendedor de gravatas em forma de raio para longe de Mac. - Fica longe dele!

????: Temos que sair daqui, Mac. Só vai piorar e nós precisamos de você vivo se quisermos impedir que-- Ele pareceu se interromper, como se, agora, tivesse decidido que não era hora de respostas. - Venha. - Ele ajudou John, colocando Mac no ombro, mas Mac já sentia que poderia muito bem caminhar com as próprias pernas mas, por tudo que é sagrado, ele precisava muito de uma bebida! - Vamos levar ele lá pra fora.

***
Não demorou muito para que Samuel e Mulder chegassem à delegacia, muito menos do que o esperado. Surpreendentemente, o sempre caótico transito da cidade (que costuma dar sinais de vida mesmo nas horas obscuras da madrugada, em determinadas regiões) estava fluindo bem.

Chegaram lá e olharam ao redor para avaliar a situação. Era um movimento involuntário, mas parecia que todo agente especial havia criado esse característico hábito. "É para eles saberem que estamos de olho", Mulder disse certa vez. Mas Samuel sempre dizia que aquilo estava para o FBI tanto quanto as rosquinhas estavam para os policiais.

Quando fecharam as portas, fazendo ecoar o som da porta batendo, Mulder pareceu que iria reclamar da força que foi usada pelo parceiro para fechar a porta, mas um outro carro parou ao lado deles e fez com que Mulder simplesmente esquecesse a ideia. Uma mulher, bem vestida, desceu do carro e Samuel pode reparar o crachá com sua identificação: Casey Novak.

Ela passou por eles rapidamente e caminhou na direção da porta de entrada.

Mulder: Com licença, moça. - Ele a chamou num tom de voz suave o que fez com que ela se virasse por uns instantes. Tempo suficiente para que Samuel pudesse ver a palavra "advogada" em seu crachá.

Casey Novak: Não posso ajudar agora. - Ela disse de forma firme e pouco simpática, mas de forma alguma arrogante. Parecia simplesmente alguém que estava tendo uma noite daquelas e precisava, muito, de um café bem forte. - Me dêem licença.

Ela entrou na delegacia e Samuel pode sentir um sopro quente chocando seu rosto, e uma sensação de arrepio percorreu sua espinha.

***
Mac foi carregado até o lado de fora da delegacia, nem se perguntou como dois envolvidos em uma investigação de homicídio poderiam, simplesmente, sair pela porta da frente, mas a advogada que passou por eles não pareceu se importar em nenhum momento para o bêbado acabado que tropeçava nas próprias pernas.

Sua cabeça começava a voltar aos eixos, mesmo com aquela dor desgraçada que martelava no fundo do seu crânio. Mas o ar noturno pareceu lhe fazer bem. Depois de respirar fundo ele pode reparar os dois homens de terno na entrada que pareciam se decidir em entrar ou não.

"Maravilha." Ele pensou. "Mais uma dupla de fodidos para entrar na minha noite." Mas, ele não sabia definir bem se aquela nova dupla estaria, ou não, interessada em qualquer coisa que ele poderia ter para dizer.

***
Casey Novak: Muito bem, detetive. - A voz de Casey soou como música aos seus ouvidos. Elliot sentiu que a noite não seria tão ruim, afinal. Com Casey ali, pelo menos, eles conseguiriam algum embargo ou algo assim para manter a menina diante dos seus olhos, sem correr o risco de sumir em alguma mesa da Área 51. - O que você tem para mim?

Ela ouviu o que Elliot tinha dizer parecendo impaciente, apenas balançando a cabeça levemente para concordar ou discordar em alguns momentos.

Casey Novak: Certo, senhor Ouw. Me mostre esse documento.

***
De: NÚMERO RESTRITO
A PORTA DOS FUNDOS ESTÁ ABERTA. ELA É FÁCIL DE ENCONTRAR. APROVEITE-SE DA DISTRAÇÃO QUE O GIGANTE VAI CAUSAR. LEVE APENAS A CRIANÇA.


O quê?! Gigante? Allan olhou ao redor. Era o cara que havia acabado de chegar. O que exigia três tiras para ser contido. Eles vinha trazendo-o na sua direção. Fazendo barulho e chamando atenção. Ele viu que havia uma poltrona de aparência desconfortável encostada à mesa em que ele estava, e que no chão havia um cano de aço com algemas. Ali, ele imaginou, algemavam-se os criminosos e escórias da cidade até decidirem o que fazer com eles.

Era hora de sair dali. Aproximou-se de Melaine e a apertou contra o peito. Olhou ao redor e viu um pequeno corredor. Era ali. O caminho para a saída. Ele tinha certeza. Mas, como ele iria simplesmente sair da delegacia com a filha nos braços? Sua cabeça girava, mal reparou quando os tiras finalmente contiveram o Gigante e o algemaram firme em meio aos insultos que ele esbravejava.

Foi quando sentiu a vibração no braço, indicando a chegada de outra mensagem.

De: NÚMERO RESTRITO
AGORA!


Ele agiu como uma máquina cujos servo-motores estivessem esperando o comando final para iniciar. Não se fez perguntas. Não podia se dar a esse luxo. Simplesmente tomou Melaine no colo e correu.

***
Casey Novak: Elliot, eu sinto dizer... - Na sala reservada, onde só os dois se encontravam, Casey deixou-se aliviar mas não tinha boas notícias para o detetive Elliot. - O documento é legítimo, El. Ele tem respaldo legal para levar a menina.

Ele olhou pelo vidro despejando sua frustração, havia uma certa movimentação na delegacia, mas até então nada fora do comum. Os viciados e assaltantes de sempre. Isso iria mudar. Ele só não sabia disso ainda.

***
O Gigante conseguiu se levantar, e socar um dos guardas contra a parede mais próxima num movimento violento que fez sangue espirrar até o teto e o tira girar inerte para o lado em movimentos espasmódicos. Gritos instantâneos invadiram a delegacia e a confusão se tornou generalizada. Guardas começaram a cercá-lo e a avançar contra ele, que teve que se acoar junto à mesa mais próxima.

Até que seus dedos tocaram algo. Uma arma. Carregada e posicionada sobre a mesa.

Uma arma que Allan Fraid havia deixado lá.

***
Allan pode ouvir a confusão se armando, os gritos, o som dos golpes e de coisa quebrando. O som de policiais gritando. O som de quatro tiros em sequência.

Nada disso o assustou. Ele conseguiu! Chegou até a saída da delegacia. Estavam livres de tudo aquilo. Eles iriam viver uma vida juntos novamente, afinal.

Até ouvir o sussurro de Melaine:

Melaine: Adeus, mamãe.

Allan: O que foi, filha? - Seu coração sobressaltou. - O que disse?!

E, imediatamente, sentiu a familiar vibração em seu bolso.

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Leo Rocha em Sex Mar 14, 2014 12:31 pm

Em pouco tempo chegamos à delegacia. Apesar do trânsito ter ajudado, eu passei a viagem inteira tenso com o que o Aranha havia contando e com a surrealidade do caso. Comentei com Mulder sobre alternativas para a situação como a garota possuir alguma síndrome que retarde o envelhecimento ou o crescimento. Também cheguei a cogitar má alimentação e um cativeiro sem possibilidade dela ser exposta a luz do sol, impossibilitando a absorção e a produção de vitaminas e demais substâncias que influenciam no crescimento. Uma das coisas que aprendi com meu irmão e com Mulder é que sempre há a possibilidade de uma explicação diferente da que esperamos. Esses eram os arquivos X, se as coisas corressem como o esperado nós não estaríamos aqui.
Eu saí do carro e bati a porta com pressa. Fox me olha, mas não chega a reclamar. Ele sabe como fico quando estou entrando num caso desses. Olhamos em volta, mapeando a situação e já estava me preparando pra entrar quando um carro para ao lado do nosso e sai dele uma mulher. Ela é bonita e parece cansada. Tinha toda pinta de advogada, daquelas que se dedicam ao trabalho em tempo integral, negligenciando a si mesmas muitas vezes. Mulder tenta falar algo com ela e ela o corta dizendo estar com pressa, eu respondo por ele:

 Arrow Tudo bem, querida. Não estamos lhe chamando pra tomar um drinque. Somos agentes do FBI e queremos sua colaboração. Se puder nos ajudar, ficaremos agradecidos, caso contrário fique a vontade pra seguir seu caminho. Ah.. Sobre o drinque, ele é opcional e pode ser combinado em outra hora...

Mulder me olha com aquele olhar de "de novo não", mas o que posso fazer? As vezes é mais forte que eu... Espero a resposta dela. Se ela se apresentar e colaborar, entraremos com ela na delegacia, conversando sobre o caso até chegarmos ao suposto agente federal. Caso contrário, seguiremos sozinhos.

Seguindo para a porta, esbarramos com dois homens carregando um bêbado para fora da delegacia. Não sei porque, mas a situação me pareceu estranha. O homem parecia não aguentar as próprias pernas. Ele estava realmente mal e não havia indícios de que haviam solicitado avaliação médica para ele. Antes mesmo de Mulder dizer algo, eue falo:

 Arrow Hey amigos, alguém já avaliou esse cara? Como é o nome dele?

As perguntas são feitas quase que casualmente. Sem esboçar ameaça ou tensão. Dependendo da resposta eu faria pouco caso ou me interessaria mais pelo assunto, porém, não perdia de foco o objetivo central: precisava ver a garota e o que acontecia com ela.

Nós já estavamos dentro da delegacia quando começou a confusão e os tiros. Instintivamente me joguei para um canto e saquei a arma. Quando percebi o gigante disparando tive pouco tempo para pensar. Apontei minha arma e dei dois disparos. Esperava acertar o ombro dele e assim fazê-lo soltar a arma. Esta noite eu não tinha nenhuma intenção de dançar com a morte.

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Nasinbene em Qui Mar 20, 2014 9:20 pm

Então, era assim que aquela noite iria acabar. Comigo sendo amparado pelo bonitão do sotaque grego e pelo John, mal me aguentando nas pernas. Cara, como eu estou me sentindo ridículo pela cena que acabei de fazer. Porra, passaram-se anos... A verdade é uma só, não importa quanto tempo passe, não importa o quanto eu tente afogar minha memórias num copo de bebida, às vezes o passado voltava com força total...
Eu nem sei como aqueles dois tinham conseguido me arrastar pra fora, o que importava é que o ar noturno havia clareado minha cabeça, apesar de não fazer maravilhas quanto a dor que transpassava meu cérebro como uma lança. Quando dou por mim, tem mais dois meganhas parados ali, perguntando se eu havia sido avaliado ou algo do tipo.
Que papo era aquele? Sei lá, só sei que tive problemas o bastante por uma noite e num arrombo de presença de espírito me faço de cidadão colaborativo:

- Já fui avaliado sim, policial, acabei de ser liberado. Agradeço a preocupação...

Sem dar mais nenhum detalhe e com firmeza suficientes nas pernas pra me afastar por mim mesmo, só me apoio no ombro do John e vou me afastando, sempre com o Grego na minha cola. Quando percebo que já estamos longe o bastante pra que os recém-chegados não nos ouçam, falo com o grego mais uma vez:

- Cara, ce queria me trazer aqui pra fora, estamos aqui... Me conta o que ta rolando... Ce mencionou algo sobre precisar de mim pra impedir algo... Sei quando to viajando e quando ce disse isso eu ja tava voltando a mim... Vamos lá cara... Do que se trata?

Antes que o cara possa responder, tudo pira de novo. Ouvimos tiros vindos de dentro da delegacia. Agora, vou te contar... adrenalina é um troço esquisito... Ao invés de correr pra longe dali como mandaria a razão, corro de volta pra dentro da delegacia... como se eu pudesse ajudar em alguma coisa ou se eu pudesse arruinar mais minha noite...

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