Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

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Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Phelipe Peregrino em Sab Jul 30, 2011 7:39 pm

Era de se esperar que aquela noite fosse diferente das noites cinzas das quais estava acostumado. Ali sentado em meio a uma multidão que, ele sentia, se controlava para não se jogar aos seus pés e uma neblina verde que subia e confundia os sentidos de maneira quase alucinante. Aquela sensação de nervosismo que sempre precede os momentos marcantes de nossas vidas, mas que ele jurava já ter se acostumado,  crescia e fazia seu coração bater tão forte no peito que parecia quase insuportável.

Lá estava Alan Fraid, olhando para os lados e desejando, com todas as forças, que tivesse uma garrafa de vodka vagabunda em algum lugar por ali. As luzes começaram a surgir diante de todos e a multidão explodiu numa saudação ensurdecedora e (porque não?) inebriante. E, por fim, uma voz que só poderia ser descrita como cadavérica ecoou por toda parte. Ele se mexeu na cadeira e esbarrou na pessoa ao seu lado. Ele tinha certeza: Estava começando.

????: Senhoras e senhores, bem vindos ao--

Narrador: E agora, aquietem suas almas e ofereçam suas orações ao mestre do terror: STEPHEN KING!

A multidão se levantou e aplaudiu com ainda mais entusiasmo. Alan deixou um leve sorriso escapar no rosto. “Aquietem suas almas e ofereçam suas orações?!” - ele pensou - "E ele ainda tem a cara de pau de reclamar quando alguém fica olhando pra ele como se estivesse vendo o Pinhead”. King usava roupas simples, um tanto quanto informais. Uma jaqueta surrada e marrom e uma calça jeans igualmente surrada.

Stephen King: Boa noite à todos! – Ele disse com uma voz que fazia parecer que ele não dormia há dias. – Se vocês acham que conhecem o terror, precisam experimentar a comida que nos serviram lá no backstage.

Todos riram. Alan também.

Stephen King: Bom, sem perder o tempo de vocês. O vencedor de “Melhor Filme de Horror” é... – Ele abriu o pequeno envelope que, só agora Alan tinha visto, estava em suas mãos. Ele disse o nome, mas Alan não conseguiu entender. A multidão gritou e o telão se iluminou exibindo cenas do filme vencedor e um pôster gigantesco foi estendido no o palco.

Ao seu lado, Jon Cryer – escolhido para viver o seu papel no filme – o abraçou e o puxou para o palco. E Alan foi tomado pelo calor da multidão. Olhava para as pessoas gritando seu nome e se sentia leve. Esqueceu-se de seus problemas... Esqueceu-se do mundo. Sentiu-se feliz sem se importar com quanto tempo iria durar. Percebeu, naquele momento, que aplausos como aqueles eram como drogas... E sentiu-se viciado. Magicamente viciado.

***
????: Desliga essa porcaria. – Falou terminando a caneca de cerveja, enchendo outra caneca.

Edward McCann estava sentado no balcão do bar onde passava todas as noites. Ainda não estava bêbado o bastante para perder a razão, mas isso também indicava que ainda não estava bêbado o bastante para esquecer a cena de sua família morta, presa entre as ferragens. O som que sua esposa fazia ao se afogar no próprio sangue, o cheiro de sua filha queimando enquanto gritava o nome dele.

John: Qual é o problema, Mac? – Disse o barman se aproximando sem tirar os olhos da TV. John era o tipo de cara que não se destacaria em qualquer área que resolvesse se dedicar, o tipo de pessoa com a qual passamos a tarde conversando e, depois, esquecemos de seu nome. Mas, por sorte ou apenas por mero acaso, ele escolhe a única profissão onde as pessoas realmente dariam atenção para o que ele o faz: manter as canecas de cerveja cheias. – Achei que você tivesse gostado do “A Criança que o Demônio levou"...

Mac McCann: Até gostei do livro... – Falou desanimado. – Mas o filme nem se compara.

John: Ah, cara, é sempre assim. E, pô, tu tem que dar um crédito para o tal do Fraid... – Disse tirando, pela primeira vez, os olhos da TV. – A idéia de exigir que os caras colocassem o rosto da filha dele na atriz foi uma tacada de mestre. Meio mórbida, é verdade, mas ficou tudo muito mais macabro.

Mac McCann: Grandes merdas... – Falou tomando outro gole grande de cerveja. – Ele investiu tudo nisso porque sabe que tudo que ele fez depois do “A Criança que o Demônio levou" não passa de mais do mesmo.

John: "Mais do mesmo" é o caralho! – Disse sorrindo. – Eu quase me caguei com “Sodomizada pelo Demônio”.

Mac McCann: Tá falando sério? – Disse com uma cara de surpresa. – Esse livro é uma porcaria! Só o título é de extremo mal gosto. Vai desligar essa coisa ou não?

John: Nem fodendo! – Respondeu de sopetão. – Eles disseram que o Fraid vai ler as primeiras páginas da sua nova série e eu quero ouvir isso.

Mac McCann: Pro inferno! – Disse se levantando e indo em direção à porta do bar. Estava mais cheio do que o de costume, o que na verdade queria dizer apenas que tinha mais alguém além dele. – Eu vou é dar uma mijada!

John: O banheiro é pra lá... – Disse apontando para a outra direção, mas o fez de forma completamente despretensiosa, como se já tivesse feito isso antes e soubesse bem que não daria resultado.

Mac McCann: Naquela pocilga que você chama de banheiro? – Disse sorrindo de maneira cruel. - Eu estou mais seguro com os viciados lá fora.

***
????: Achei que você fosse passar a noite em casa, hoje. – Ela falou com um tom quase materno.

Ele apenas desviou os olhos por um instante e voltou a olhar o arquivo com o qual passou as últimas horas.

Elliot Meloni: Não... – Falou de modo completamente desanimado. Era como se, apenas falar alguma coisa já fosse um grande esforço. – Eu queria dar uma olhada em uns casos abertos.

Olivia: Melaine, não é? – Ela disse se aproximando e olhando, por cima dos ombros, para o arquivo nas mãos dele. Ele não respondeu, só ficou encarando a foto da garotinha que sorria e lembrava tanto uma de suas filhas. – Eu sabia que essa coisa do filme iria te afetar...

Elliot: Aquele cara... – Ele sussurou olhando a foto surrada em sua mão. Ela já estava velha e com claros sinais do tempo que passou. – Eu sabia que ele não batia bem quando eu o conheci. Mas, que tipo de doente faria uma coisa dessas com a própria filha? Quero dizer--como se expor o caso naquele livro ridículo não fosse o bastante, ele ainda colocou o rosto dela num filme!

Olivia: Elliot... – Ela disse procurando as palavras certas. – Criar toda essa história foi a forma que ele encontrou de encarar o desaparecimento da filha. Eu sei que esse caso te afetou, El, e eu não vou ficar aqui dizendo que você tem que superar... Mas--

A porta atrás dele se abre de maneira brusca e um homem de meia-idade entrou pela sala. Capitão Dan Cragen falava de maneira firme e, mesmo sem intenção, autoritária.

Capitão Cragen: Já estava começando a achar que vocês tinha saído, eu procurei vocês por toda parte! – Falou escondendo um certo alívio na voz. – Recebemos uma ligação anônima... Acho melhor vocês dois irem dar uma olhada.

***
“Acho melhor vocês dois irem dar uma olhada.” – Completou o capitão. Um suor frio escorria em sua espinha pois sentia, graças aos seus anos de experiência na força policial, que estava diante de um caso “daqueles”.
Aplausos.

A noite continuava embalando-o com aplausos e prêmios. “Melaine – O Filme” vencera todas as categorias que competiu. E aquela heroína refinada chamada “glória” era injetada diretamente em suas retinas. Alan Fraid quase implorou para que aquela noite nunca mais acabasse. Mas soube, quando foi chamado ao palco pela última vez, dessa vez para ler algumas páginas do primeiro volume de sua nova série. Virou a página e continuou a ler as palavras num ritmo dramático para dar ênfase ao clima que criou nas páginas.
Os detetives Elliot e Olivia se dirigiram ao local da denuncia. Olivia sentia que seu parceiro não estava bem, embora não soubesse o motivo. Por isso, mesmo sob os protestos dele, ela assumiu o volante.

O transito de Nova York é caótico, mesmo àquela hora da noite e a cidade sempre fazia jus ao título de “cidade que nunca dorme”. Elliot tentou, por pouco tempo, não pensar no caso que fracassou em solucionar anos atrás. As memórias da pequena garotinha que desapareceu sem deixar vestígios e seu perturbado pai tamborilavam em sua mente e o marcaram como uma cicatriz em seu crânio. Teria chorado? Talvez. Mas sua parceira quebrou o silêncio.

Olivia: Elliot... – Ela disse no mesmo tom que nossas mães usam quando querem nos convencer de algo que nós mesmos já deveríamos saber. Ou no mesmo tom que as Prostitutas usam quando falam conosco... Depois de tantos anos, eu já não sei mais a diferença. – Você é um grande detetive, salvou muita gente ao longo dos anos... Não pode ficar se culpando pelo que aconteceu com essa menina.

Elliot: E o que você espera que eu faça, Liv? – Ele disse, mas as palavras soaram menos agressivas antes de tê-las pronunciadas. – Simplesmente esquecer?!?

Silêncio.
***
Mac só percebia o quanto aquele lugar era quente e fedido quando saia para urinar. No inicio, ele ainda dizia a si mesmo que procuraria um lugar melhor. Mas hoje já não se incomodava mais. Simplesmente foi para trás das caixas de lixo e começou a se aliviar, soltando um estrondoso suspiro de alivio. Não tinha percebido que o beco estava mais escuro do que o de costume... Nem percebera o homem com uma faca indo em sua direção.

Sentiu a faca fria contra seu pescoço e o cheio horrível de vômito, pus e álcool do homem que o emboscou. Sentiu um filete de sangue escorrer do local onde a faca o pressionava.

Homem: Perdeu, cara! – Gritou o homem. – Manda pra eu a grana e o relógio se não quiser virar minha vadia!

Mas, nesse momento, o homem cuspiu sangue em seu rosto e tossiu abafado. Ele sentiu a faca afrouxar e o homem cair. Virou-se rápido, pronto para se defender, mas não estava pronto para o que viu.

***
Elliot: Me desculpe... – Ele disse de maneira tímida. – Eu--Eu não queria--

Olivia: Tudo bem. – Ela disse rápido, para evitar que o clima ficasse constrangedor. – Vamos, recomponha-se... Nós estamos chagando.
Alan observou a multidão que observava de olhos arregalados e escutava no mais absoluto silêncio. Afastou um pouco o livro e falou num tom sarcástico:

Alan Fraid: Vocês sabem que eu só demorei para começar a escrever essa história agora porque tinha medo do Stephen King roubar algumas de minhas idéias para a sua “Torre Negra” não é? – Todos riram.

Continuou lendo.
O carro estacionou rompendo a agitação da viela. Os dois detetives desceram e logo foram abordados por um policial que os encarava de maneira assustada. Em seu peito, o nome “Mike” se destacava.

Mike: Ainda bem que vocês chegaram... – Ele falou coçando a cabeça por baixo do cap. – Eu não sei o que pensar dessa situação!

Elliot: O que aconteceu?

Mike: Bom... – Ele falou tentando formular a narrativa da melhor maneira possível. No fundo, tinha medo de começar a falar, pois sabia que, não importa por que ângulo olhasse aquela história. Ela seria loucura. - Um cara enchia a cara no bar quando resolveu sair para se aliviar. Foi emboscado por um viciado, mas alguém apareceu e acabou com o cara.
Tinha alguma coisa errada na história que lia. Ele sabia que escrevera as primeiras páginas há muito tempo... Sabia também que não estava se dando muito bem com a bebida na época. Porém, aquela não era a história que ele havia escrito. Quer dizer... Era--Mas não era assim que as coisas iria se encaminhar. Ele não criou nenhum personagem chamado Mike... Ninguém iria aparecer para salvar o professor ‘Mac’. Tinha alguma coisa errada!

Virou a página, tão curioso quanto os próprios leitores.
Olivia: Quem?

Mike: É aí que ta, detetive. – Ele fez uma pausa. – É melhor vocês verem com seus próprios olhos.

O policial os guiou até dentro do bar, onde o cheiro de álcool e cigarro invadiu suas narinas bambeando-os como um soco bem dado. Depois, atravessaram todo o salão principal, que era porcamente decorado e não tinha nada além de um balcão velho e algumas mesas, chegando até uma porta fechada.

Elliot abriu a porta e arregalou os olhos quando viu quem estava lá dentro... Quantos anos haviam se passado? Cinco? Dez? Mesmo assim, ela estava exatamente como na foto. Exatamente como sempre foi.
Alan arregalou os olhos quando leu o nome escrito em letras garrafais em seu livro.
Elliot: Melaine?!?
E então, vieram os aplausos.


Última edição por Besouro Azul em Qua Jan 22, 2014 8:51 pm, editado 1 vez(es)

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Drako em Sab Jul 30, 2011 10:23 pm


São cinco e meia da manhã, o som do despertador me acorda enquanto eu o tateio, sem virar o rosto, em cima do criado mudo procurando o botão para desliga-lo, mas sem sucesso. À medida que minha paciência vai se esgotando, procuro outro recurso, o puxo da tomada. Sem aquele barulho irritante, que me faz tremer só de lembrar, consigo relaxar deitado por mais alguns segundos. Finalmente pulo da cama e vou tomar banho. Após um café da manhã, e café da manhã leia-se pão duro com café, saio de casa e pego meu carro, me dirigindo à 16ª delegacia de Nova York.

Já na delegacia, descubro que o dia será longo, estava cheio de relatório acumulados para fazer e estava passando do prazo de entrega. Fin e Much papeiam enquanto eu tento me concentrar para lembrar dos detalhes dos casos menores que tive que fazer. Fico de manhã até a noite nessa tarefa, apenas parando para almoçar e tomar alguns copos de café.

Quando finalmente termino, me levanto para esticar o corpo todo dolorido e vou até a sala de espera da delegacia onde Fin estava assistindo o Scream Awards. Nunca gostei desse tipo de premiação, vangloriar aquilo que assusta as pessoas. Chamam Stephen King de “mestre do terror”. Ninguém sente o real terror ao ler um livro, ninguém conhece um monstro de verdade apenas vendo um filme. O entretenimento deveria ser voltado a diversão, e não o horror. Existem coisas que não se brincam, como no caso do grande vencedor da noite.

Elliot:
Alan Fraid...

Um homem que fez fortuna com a tragédia de sua vida. Um homem que fez dinheiro vendendo a história do desaparecimento de sua filha. Nunca tentei ler o livro e nunca irei ver aquele maldito filme onde o rosto da pobre menina está estampado lá, para todos verem.

Saio de onde estava e vou para o deposito da delegacia. Não era um deposito qualquer, mas sim onde ficavam os assim chamados “Cold Cases”, os casos sem solução. Peguei uma caixa não maior do que uma de sapato e pus na mesa. Puxo a cadeira, coloco meu paletó nela, sento e abro a caixa do caso Melaine. Não tinha quase nenhuma evidência do caso, apenas algumas amostras de DNA e a foto da garota. Não era para menos, ela simplesmente sumiu sem deixar nenhum rastro. Lembro-me bem do dia em que fui chamado, era madrugada, o pai da garota ligou para a policia. Agora você se pergunta, porque a Unidade de Vítimas Especiais foi chamada? Eu te digo. Quando uma criança some, sem deixar rastros, todo mundo pensa o pior. E qual seria a pior hipótese no caso de uma garotinha bonita como a Melaine? Morte? Eu diria que se ela estivesse morta seria sorte.

No meu trabalho eu lido com o pior tipo de gente que existe, os estupradores, e devo dizer que eu sinto ódio dessa gente, mas eu odeio ainda mais os Pedofilos e por isso não conseguir solucionar o caso dela me doí demais. Não é só a falha, não foi a primeira vez que eu não solucionei o caso, mas eu tenho filhas sabe? Não sei o que faria no lugar do Fraid, por isso não entendo o que ele tem feito.

Fico ali, olhando a foto da menina e me remoendo por um tempo.

????:
Achei que você fosse passar a noite em casa, hoje.

Desvio meu olhar para ver a Liv entrar e então volto meus olhos para a foto.

Elliot Meloni:
Não... Eu queria dar uma olhada em uns casos abertos.

Olivia: Melaine, não é?

Eu não respondo e então ela se aproxima de mim. Continuo a encarar a foto, enquanto me lembro da Lizzie, minha filha mais nova. Olivia é a minha parceria desde que eu me lembro, ela me conhece de um jeito melhor que minhas duas ex-mulheres. Não sei o que sinto por ela, mas sei que provavelmente não iria dar certo. Não se mistura amor e trabalho.

Olivia:
Eu sabia que essa coisa do filme iria te afetar...

Elliot: Aquele cara...Eu sabia que ele não batia bem quando eu o conheci. Mas, que tipo de doente faria uma coisa dessas com a própria filha? Quero dizer--como se expor o caso naquele livro ridículo não fosse o bastante, ele ainda colocou o rosto dela num filme!

Olivia: Elliot... Criar toda essa história foi a forma que ele encontrou de encarar o desaparecimento da filha. Eu sei que esse caso te afetou, El, e eu não vou ficar aqui dizendo que você tem que superar... Mas—

Nesse momento a porta se abre e o Capitão entra, de uma forma meio eufórica.

Capitão Cragen:
Já estava começando a achar que vocês tinha saído, eu procurei vocês por toda parte! Recebemos uma ligação anônima... Acho melhor vocês dois irem dar uma olhada.

Nem sequer dizemos uma palavra, pego meu paletó e saímos às pressas para o lugar informado. Fomos no carro da Liv, ela insistiu que eu não estava com cabeça para dirigir. O transito estava um caos como de costume e logo hoje que eu gostaria de não ter tempo para pensar é isso que o destino me reserva. Tento ao máximo não pensar no caso da menina mas não consigo por muito tempo. Fico em silêncio, encostado na porta olhando para fora pelo vidro.

Olivia:
Elliot...Você é um grande detetive, salvou muita gente ao longo dos anos... Não pode ficar se culpando pelo que aconteceu com essa menina.

Elliot: E o que você espera que eu faça, Liv? Simplesmente esquecer?!?

Fui rude com ela. Sou explosivo, desconto nas pessoas erradas.

Elliot:
Me desculpe... Eu--Eu não queria--

Olivia: Tudo bem. Vamos, recomponha-se... Nós estamos chegando.

Liv sobre o meio fio e estaciona o carro. Descemos e logo somos recebidos por um policial local, ele estava assustado, o que indicava que o que viria a seguir não era agradável. Mas nunca é.

Mike:
Ainda bem que vocês chegaram...Eu não sei o que pensar dessa situação!

Elliot: O que aconteceu?

Mike: Bom... Um cara enchia a cara no bar quando resolveu sair para se aliviar. Foi emboscado por um viciado, mas alguém apareceu e acabou com o cara.

Olivia: Quem?

Mike: É aí que ta, detetive. É melhor vocês verem com seus próprios olhos.

Ele nos guia até o bar. Local fétido, de baixa renda, cheirava a álcool e cigarro de tal forma que poderia nos embebedar e dar câncer de pulmão em uma só tacada. Passamos por todo o salão principal até uma porta fechada. Eu abro a porta... meu coração salta, minha pressão aumenta, meus olhos se arregalam.

Elliot:
Melaine?!?

Não tenho outra reação a não ser me ajoelhar e abraça-la fortemente. Ela não me conhece, eu não a conheço, mas sinto uma ligação imensa com a menina. Por alguns segundos, sinto que me livrei de um peso enorme em minhas costas.

Elliot:
Melaine, o que houve com você? Estive te procurando com o seus pais por meses...

Nesse momento eu noto algo de errado. Passaram-se 7 anos desde que ela sumiu, e cá está ela, na exata imagem da foto em que eu estive segurando hoje. Nem sequer uma mudança corporal, como se tivesse sumido e reaparecido hoje. Mas esse detalhe não é importante agora. Saco meu celular e ligo pra capitão Cragen.

Elliot:
Capitão, ligue para Alan Fraid e sua ex-esposa agora. Diga a eles que encontramos sua filha e para nos encontrar na delegacia imediatamente. Não não, não sei como ela veio parar aqui. Sim...iremos para ai assim que possível, mas preciso ver outros detalhes antes. Coisas estranhas estão acontecendo aqui, Dan. Te conto tudo depois.

Desligo o telefone, tiro meu paletó e cubro a menina com ele, enquanto peço para a Liv leva-la até o carro. Depois vou até a cena do crime investigar o que aconteceu e tentar falar com o tal bêbado. Preciso ver o estado do viciado e a como a menina “acabou” com ele. Existem muitas pontas soltas nessa história e todas envolvem a Melaine. Algo não me cheira bem.

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Scorpion em Dom Jul 31, 2011 4:33 am

"Meu nome é Alan Fraid. Este não é meu nome artístico... é meu nome de batismo, acredite se quiser. Há alguns anos, a coisa mais preciosa da minha vida foi tirada de mim. A única coisa que sei fazer são escrever as histórias mais macabras que o mundo já viu... e essa foi a minha maneira estranha que apenas eu entendo de louvar sua memória. Já vi tantas coisas em meus sonhos sobre o que pode ter acontecido com minha filha que conheço o medo em todas as suas faces. Até hoje me lembro da cena.... um grito de minha ex-esposa no meio da noite quando foi ligar o aquecedor do quarto de Melaine... um quarto decorado com unicórnios e fadas - ela os adorava. Foi uma trabalheira pintar aquilo nas paredes - um quarto que ficava em um apartamento no décimo sétimo andar de um condomínio com porteiros e seguranças... e um quarto vazio às 23h. Como uma criança some sem deixar rastros? Minha mente nunca vai entender... mas ela tenta até hoje. Só tenho uma resposta... um anjo levou minha filha. Não acredito que anjos sequestrem crianças, mas detesto achar que foi alguém do outro lado... Meu nome é Alan Fraid, e se você estiver lendo isso, é porque minha vida está para mudar para sempre..."

Alan estava sentado em sua cadeira. Ele havia escolhido um terno especial para esta noite. Sua camisa era de uma cor carmim escura e sua gravata negra, quase camuflando-se com a camiseta e o paletó preto. O bacana deste prêmio é que não apenas os concorrentes entram, mas também o público. Alan tinha muito carinho por seus fãs. Recebia inúmeros Emails dizendo "como tremeram na cena em que Melaine foi arrastada para baixo de sua cama por uma sombra sinistra" ou de "como choraram ao ver o desespero dos pais enquanto a procuravam". O fato é que Alan sabia exatamente o que escrever para causar sensações extremas para aqueles que estavam dispostos a sentí-las.
Ao seu lado estava sua estagiária/secretária/prostituta, Michelle...


Michelle era uma bela aluna de literatura que se dizia " fã número zero" de A. Fraid. Ela havia se apresentado há alguns meses e mostrou certa competencia para a função. Michelle é uma garota gótica e muito sensual. Talvez essa tenha sido a real razão de Alan contratá-la como secretária. Ela era competente quanto a correções gramaticais, administração da agenda e principalmente, "horas extras". Era tão fã de Alan que chegava a parecer um vício doentio. Dizia constantemente que eram almas gêmeas e que o descobriu quando viu a história de Melaine. Alan pedia que não o tratasse como se fossem, pois as palavras tinham poder e Alan sabia disso. Ele era um hipócrita, na verdade. Dizia que as palavras tinham poder,mas fazia fortuna vendendo sua desgraça temperada com o inferno e ainda estava planejando um reality show espírita de horror. Alan gostaria de ter Judith ao seu lado ali, mas já faziam alguns meses que ela desligava o telefone e não retornava suas ligações. Alan pensava em desistir. A ferida de Melaine estaria sempre aberta nela, afinal, ela era mãe. Judith considerava o livro de Alan o maior desrespeito que poderia ser cometido e tinha ogerisa à ele por isso.

Afundado em seus pensamentos, Alan volta ao mundo apenas com um cutucão e um beijo na bochecha de Michelle.
Michelle: AAAAAAHHHHH!!! Al, você ganhou! Acorda, chefe! Você ganhou, porra!!!
Alan olhava para os lados meio que se situando do mundo. As pessoas aplaudiam e davam tapinhas no seu ombro. Ele levantou-se, abraçou o ex-ator de Two and a Half Men - que Alan não achava nada parecido com ele, apesar de que foi decisão dos produtores e Alan não tinha uma melhor opção - o diretor e foi ao palco receber o prêmio. Ele já tinha uma certa certeza de que ganharia, afinal, a Torre Negra de Stephen estava fugindo um pouco do Terror que ele estava acostumado a apresentar.
Alan levantou o prêmio e começou os agradecimentos:

Alan: Bem, obrigado, pessoal. Eu queria agradecer aos fãs pelo apoio, carinho e dedicação. À todos aqueles que compraram o livro... e até os que baixaram na internet. Este trabalho não seria o mesmo sem o apreço de vocês. Espero, que onde quer que minha filha esteja, que seja num lugar totalmente diferente do que o que escrevi aqui. Eu sei que muita gente se questiona se a foto aqui no telão, atrás de mim - disse se virando e apontando - se é a minha filha mesmo. Sim, essa é a Melaine. Ela é... era, bem mais linda do que o que está aí. Essa é uma fotografia de quando ela teve de tomar vacina de sarampo, ou catapora, não lembro. Ela chorou muito e nós batemos a foto para que ela visse como foi boba. Bom, mudando um pouco de assunto... não sei se digo uma boa notícia, ou melhor, DUAS boas notícias para vocês...eu digo?
Depois dos gritos da platéia, Alan faz sinal para que se acalmem e começa.
Alan: Ok,ok. A primeira boa notícia é que a história de Melaine continuará e, o melhor: TAMTAMRAMRAAAAM.... será uma trilogia! O título? Sinto muito... continuem acompanhando meu website e me sigam no twitter.
Após o alvoroço, Alan pede silêncio novamente, enquanto manda um beijo para uma garota gótica que grita "Alan, case comigo!"
Alan: Casamento? Hahaha! Não, obrigado... escrever sobre o inferno, tudo bem, mas viver nele é outro assunto. Bem, agora darei a segunda notícia. Eu estive em negociação com uma certa emissora de TV e estarei produzindo e dirigindo um Reality Show. Isso mesmo que vocês ouvira, Um reality Show! Do que ele se trata? Bem, serei breve, porque não aguento mais ficar de pé. Não tenho mais a idade do Stephen... Hahaha! O nosso reality contará com a participação de médiuns de vários cantos do mundo e também pessoas normais. Nós passaremos alguns meses em nenhum lugar menos do que Machu Pichu. O massacre que Cortéz provocou naquele lugar ecoa espiritualmente até hoje, dizem os espíritas. É considerado um dos locisl de maior incidência espiritual e resquícios de espíritos odiosos. Muitas pessoas que desencorporam naquele lugar dizem ver coisas "além da imaginação humana". Não vou entregar todos os pontos, mas vocês me conhecem. Vai ser de matar de medo. Agora, se me permitem, eu gostaria de iniciar a leitura do segundo livro da saga que vocês conhecem e amam... "No Inferno"!
Após mais alguns gritos, Alan começa a ler.

A leitura inicia-se normal, mas depois... que coisa estranha. Alan não havia escrito aquilo... ele faz uma pausa e olha para Michelle e para seu agente. Eles estão com a mesma cara de paspalhos de seus fãs. Claro que não teriam como saber... Alan não revela seu livro a ninguém antes de estar pronto.Mas que coisa mais maluca, pensava ele.
Entretanto, Alan queria saber onde aquilo chegaria. Ele começou a ler e a se sentir como os fãs devoradores de suas histórias. Alan não tinha tino para aventuras policiais, mas aquilo estava bom. Por sorte não era meramente policial, pois tinha umas pitadas de terror. O que era aquilo?
Foi quando Alan chegou na parte onde o detetive encontrava... Melaine?!
Os suspiros do público eram notáveis, mas o coração de Alan quase parou. Aquele livro estava real demais... e os detetives...eles existiam. Alan lembrou do interrogatório e do detetive que estava no caso. Um bom homem, competente... NY precisava de mais desses. Abraçou o caso como se fosse uma filha sua. Alan começou a achar estranho. Quem quer que tenha escrito aquilo, teria de conhecer seus mais íntimos segredos e tamb'em sua história. Apenas uma pessoa conhecia Alan tão bem... Judith!
Alan estava calado, imerso em seus pensamentos. Quando piscou seus olhos algumas vezes para hidratá-los - pois tinha ficado paralisado - ele acordou para os aplausos de pé da platéia. Michelle assoviava e fazia um sinal para ele em seu rosto. Alan tocou sua bochecha e sentiu molhado... havia chorado enquanto lia as páginas. Ele apenas ergueu o prêmio mais uma vez e disfarçou seu pior sorriso.
Alan: Obrigado,pessoal. Boa noite!
Ele sentou-se ao lado de Michelle e pegou seu braço um tanto agressivo, mas sussurrando.
Alan: Mas que porra é essa, garota? Esse... essa não é a minha história. Quando Judith foi ao meu escritório? Ela mexeu em algo? Safada, ela me sacaneou!
Alan iria esperar.... tinha de saber se foi Judith mesmo. Curiosíssimo, Alan voltou a ler o livro, devorando as páginas e vendo até onde aquela brincadeira iria.

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Nasinbene em Qui Ago 04, 2011 6:47 pm

Diabos, John não tinha como saber, mas mês que vem é o aniversário da morte de Karen e Sophie... Eu achei que era uma boa descer e enxer a cara mas aquela porra daquela história do Fraid sempre trazia tudo à tona... O cara escreve bem, tenho que admitir... bem o bastante pra fazer meu coração sangrar me lembrando da morte de Karen...
Saco, não adianta ficar aqui e "expor meus sentimentos" à porra do barman... Isso só funciona nos filmes. O melhor mesmo é sair desse chiqueiro e respirar um pouco do bom e velho "ar puro" de Nova York...
Me dirijo ao beco onde normalmente costumo satisfazer minha prementes necessidades fisiológicas (merda, se a vigilancia sanitária entrasse no banheiro do John, não só fecharia o bar, como também prenderia o cara por ocultar o cadáver de Jimmy Hoffa...) e já estou terminando de pintar as paredes externas do bar de "amarelo urina" quando um desses maldito malucos por um pico me surpreende com um faca...
Devo estar mais bêbado que o de costume, não é fácil me surpreender assim... ou o cara ta tão desesperado que aprendeu a ser silêncioso. Seja como for, estou nas mãos dele. A hora que esse maldito me soltar pra pegar meus pertences, juro por Deus que faço ele catar os dentes do chão.
Qual não foi minha surpresa, um urro surdo soa no meu ouvido e o miseravel cospe um jorro de sangue fresco em meu rosto. Me viro rapidamente limpando o rosto e pronto pra fazer pudim da cara do infeliz quando vejo uma cena que vai assombrar meus sonhos até minha morte: uma garotinha, pouco mais nova que Karen destrinchando o viciado, o sangue escorrendo pelos cotovelos como se tivesse acabado de chupar uma manga!

- Mas que caralh...!

Detenho a frase no meio. Por mais que façam anos da morte de Karen, o lado pai em mim ainda é forte. Era uma criança, porra! Faço o que qualquer pai faria: tento acalmar a guria e levar ela pra dentro do moquifo do John. Por pior que fosse lá dentro, era melhor que ficar aqui fora, com esse cadaver...
Levo a garota pra dentro e não demora pra que algum "cidadão exemplo" cheme os tiras... Quando eu era professor, na minha outra vida eu não tinh problemas com a lei... atualmente... bem, é melhor evitar. Eles só vêem o bêbado, o vagabundo, não o pai, o homem que perdeu tudo... mas foda-se, isso não é problemas deles. Eu vejo de onde estou, quando as coisas esfriam o tal Mike falando com um casal de tiras que chegam depois dele. Volto pro balcão, certo de que logo vai chegar minha vez de falar com eles...

- Bota outra, John... E fica atento... acho que vou ter que tomar mais várias essa noite...

Vejo o cara recém-chegado abraçar a piveta e a chamar de Melaine. Fico imaginando como o cara sabe o nome da menina. Deve fazer parte de algum caso ou algo assim. O cara ta me encarando... merda, vai ser antes do que eu esperava... mato a caneca e chamo o barman:

- Aí John... bota mais uma pra mim aqui... E traz uma pro tira também... algo me diz que vamos bater um papinho já já...
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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Phelipe Peregrino em Sex Ago 12, 2011 10:29 am

Alguns sons são tão ensurdecedores que optamos por não ouvi-los. Sem que possamos perceber, nós simplesmente ignoramos aquelas coisas que são tão irreais que desafiam todo o nosso conceito de lógica e o conceito linear que temos da vida. E, talvez, nenhum som seja mais ensurdecedor do que o som do silêncio. E ele é pior quando sabemos que, na verdade, há uma multidão clamando por seu nome.

Alan desceu até o seu lugar e apertou mãos e tirou fotos no que, para ele, foi uma longa maratona do palco até o seu lugar ao lado de Michelle e de Jon Cryer. Ele olhava para o vazio e, a cada passo, tinha mais certeza do que acabara de ocorrer, é claro. Sempre tendemos a buscar as explicações e elas são, em via de regras, lógicas e simples... Mas essa necessidade de explicar as coisas acaba por ofuscar nossa capacidade de enxergar que, quando descartamos todas as possibilidades provaveis, talvez, a resposta seja o improvavel, afinal, a verdade, as vezes, pode parecer loucura, mas isso não quer dizer que não seja verdade.

Alan: Mas que porra é essa, garota? - Ele puxou o braço de Michelle com força.

Michelle: Alan! - Ela o encarou assustada. - Vo-você tá me machucando!

Alan: Esse... essa não é a minha história. - Ele não percebeu que ainda apertava o braço dela. - Quando Judith foi ao meu escritório? Ela mexeu em algo? Safada, ela me sacaneou!

Michelle: Mas que merda, Alan! - Ela falou indignada. - Não acredito que tá me falando uma merda dessas! Porra! Você acha mesmo que eu ia deixar a Judith entrar no seu escritório e ficar futucando por lá?! Ainda mais depois daquela merda toda de inserir o rosto da Melaine digitalmente... Você sabe que ela tentou sabotar a porra do filme! Porque diabos eu ia deixar ela chegar no seu escritório?!

Ela falava mais alto do que ele gostaria que ela tivesse feito, e acabou chamando atenção.

Jon Cryer: Alan... - Ele disse com uma cara até meio pateta, o que fez Alan lembrar de seu personagem em "Two and a Half Men". - Cê tá machucando ela.

Alan soltou o braço de Michelle devagar, tentando elaborar uma nova teoria para o que tinha acontecido. Sentiu o peso do livro nas mãos e pensou, por um momento, que o incidente havia passado. Mas foi só por um momento, porque logo depois sentiu uma dor forte na bochecha acompanhado de um estalo seco. Michelle havia lhe dado um tapa daqueles!

Michelle: Nunca mais me machuque assim, tá ouvindo?!? - Ela falou com a voz tremendo e Alan poderia jurar que ela segurava o choro. Então, tão repentinamente quanto veio o tapa, ela segurou a sua cabeça e o beijou. No fundo, para ela, bater nele doeu mais do que o puxão.

Ele engoliu em seco e olhou, de maneira tímida para o livro.
O detevie Elliot abraçou Melaine sem se importar em nenhum momento com o fato de que era impossível que aquela seja, de fato, a Melaine. Ainda que, contra todas as possibilidades, ela estivesse escapado de seu cativeiro infame, a idade não a teria alcançado? Teriam as implacáveis areias do tempo se abstido de correr para a garota que o demônio sequestrou?

Não seria possível! A morte e o tempo são implacáveis. Tão certo quanto crepitante gotejar carmesim do sangue na boca do chacal. O sussurro dos gárgulas que conspiram contra o mundo. Ou o corvo que cagou o mundo... Essas coisas são indiscutíveis. No entanto, Melaine estava lá, coberta de sangue e com um sorriso que era tão gracioso que beirava o erotismo.

O Capitão Cragen tamborilou os dedos de maneira nervosa pelo celular. Ouviu chamando uma vez. Duas. Três. Quatro. Cinco. Seis. Pensava em desligar quando, finalmente, a pessoa do outro lado atendeu a ligação. A voz do outro lado estava assustada e soava incrédulo. O tipo de voz que temos quando somos confrontados com o inesperado e o impossível. A mesma voz que fazemos quando vamos cometer um crime hediondo... É, eu sei que você sabe que voz é essa.

????: A-Alô?

Capitão Cragen: Sr. Fraid? - Disse animado. - Alan Fraid?!
Alan parou de ler por um segundo. Olhou para os lados se perguntando se tinha alguém olhando pra ele. Se perguntou onde estava o Ashton Kutcher e as câmeras, porque, tinha certeza: Estava num quadro de Punk'd!
Capitão Cragen: Sr. Fraid? O sr. está aí? - Ele perguntou num tom preocupado.

Alan: S-sim... Eu estou.

Capitão Cragen: Sr. Fraid, eu tenho ótimas notícias para o sr. - Ele falou tentando conter a empolgação. - Não há nada confirmado, ainda, mas eu acho que--

Alan: Vocês encontraram Melaine... - Não foi uma pergunta, foi uma afirmação. Ele disse num tom apático e incrédulo. O que passava na mente daquele pobre escritor que vendeu ao mundo sua mais profunda desgraça?! Que tipo de vermes corroiam as cicatrizes de sua mente?! - Isso... É-é... Impossível!

Capitão Cragen: Como você--?!? - Ele fez uma pausa e pareceu decidir que não era importante. - Precisamos que venha até a central o mais rápido possível. - Ele falou de maneira compreensível. - Pode fazer isso?
A página acabou e Alan virou-a de maneira feroz. Era como se o ato de virar a página fosse um maldito estorvo, era algo que estava entre ele e a verdade. Mas o que viu o fez soltar um som abafado de desapontamento.
Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz.Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz.Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz. Muito siso e pouco riso fazem de Jack um infeliz.
Alan: Mas quê merda--?!

Nesse momento seu telefone tocou. Uma vez. Com o susto ele quase deixou o livro cair no chão e demorou um segundo para conseguir tirá-lo do bolso. Duas vezes. Três vezes. Ele olhou a tela e o painel digital do identificador de chamadas mostrava "Cap. Cragen". Quatro vezes. Tudo ao redor desapareceu. Cinco vezes. Foi só quando ouviu o toque pela sexta vez é que ele se lembrou que deveria atendê-lo.

Alan: A-Alô?

Capitão Cragen: Sr. Fraid? - Disse o capitão num tom animado. - Alan Fraid?! Sr. Fraid? O sr. está aí? - Ele perguntou num tom preocupado.

Alan: S-sim... Eu estou.

Capitão Cragen: Sr. Fraid, eu tenho ótimas notícias para o sr. - Ele falou tentando conter a empolgação. - Não há nada confirmado, ainda, mas eu acho que--

Alan: Vocês encontraram Melaine... - Ele completou a frase porque já havia visto aquele diálogo. Sabia que era isso que iria acontecer. Era exatamente como o livro. Por um instante, não se deu conta de que supostamente haviam encontrado sua filha. A verdade é que só conseguia pensar em como explicar o que estava acontecendo. - Isso... É-é... Impossível!

Capitão Cragen: Como você--?!? - Ele fez uma pausa e pareceu decidir que não era importante. - Precisamos que venha até a central o mais rápido possível. Pode fazer isso?

***
A cabeça do detetive Elliot doia mais do que ele queria admitir. E, por mais que ele se forçasse a ignorar o fato, era evidente que não era possível alguém ter desaparecido por 7 anos e não envelhecer um único dia. Resolveu que iria começar "cumprindo tabela". Falar com quem tinha menos ligação com a coisa toda até chegar no cara que foi atacado na rua e que achou Melaine. Por isso, resolveu começar com o barman.

Elliot falou com o barman, um homem chamado John Locke ("Como o filósofo!", o barman brincou quando se apresentou), por pouco mais de 5 minutos e só conseguiu um breve perfil do cara que foi emboscado: Mac McCann era um bom homem cumpridor da lei que perdeu a família num acidente e jogou tudo pro alto. Aparecia quase todos os dias enchia a cara e ia embora. Nunca fez mal a ninguém que não tivesse merecido e, nas palavras de John "era o filhudaputa mais inteligente que já conheci!".

Elliot e Olivia se aproximaram de Mac, que bebia uma caneca de cerveja e ofereceu outra pra eles assim que se aproximaram. Olivia recusou, até de maneira educada, dizendo que estava de serviço e, estranhamente, ficou quieta esperando Elliot dizer algo. Na cabeça dela, era o melhor a ser feito. O caso era a pedra no sapato de Elliot, era justo dar a ele a oportunidade de expulsar seus demônios.


Última edição por Besouro Azul em Qua Jan 22, 2014 9:20 pm, editado 3 vez(es)

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Drako em Sab Ago 13, 2011 4:20 pm

O inicio da investigação não foi nada produtivo. Resolvo começar do menor para o maior em nível de relação com a Melaine no ocorrido de hoje. Com tudo o que aconteceu, sobraram poucas pessoas no bar, muitos foram embora assustados com o que houve, outros foram pela nossa chegada. Então resolvo começar pelo Barman, John Locke, "Como o filósofo!" ele brinca. Provavelmente só foi procurar a origem do seu nome depois que viu um personagem em uma série de TV de sucesso com um idêntico ao dele. Embora não consiga descobrir nada importante com o cara, consigo traçar o perfil do homem atacado. É certo de que será inútil continuar a interroga-lo, então eu e Liv vamos para onde Mac McCann estava sentado, bebendo cerveja.

Elliot:
Noite cheia, não é? —Pego a cerveja que ele tinha oferecido, enquanto Liv recusa.— Detetive Elliot Meloni, Unidades de Vítimas especiais. Essa é minha parceira, Olivia Hargitay. Preciso conversar com a você, pode ser?

Sento na cadeira, dou uma golada na cerveja, coloco a caneca de volta ao balcão e então paro para analisar o cara. Cabelos logos, na altura do ombro, barba por fazer, aparenta ter entre 40 e 50 anos, cheira a bebida da cabeça aos pés, o que é praticamente impossível de evitar estando nessa espelunca. Pelo visto, a aparência não retrata sua personalidade, ao que o Barman falou.

Elliot:
Eu não tenho a menor intenção de vasculhar sua vida e nem quero saber por que você está desperdiçando-a nesse local, então não se preocupe. Também não me lembro de você estar no caso do desaparecimento da Melaine há sete anos, por isso não lhe considero um suspeito.

Dou mais um gole na cerveja, enquanto passo o dedo entre a gravata ao meu pescoço a fim de afrouxá-la um pouco, parece me sufocar.

Elliot:
Preciso que você descreva em detalhes o que aconteceu com você esta noite. Como foi atacado e como a menina entrou nisso tudo.

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Scorpion em Seg Ago 15, 2011 9:14 am

Michelle como sempre faz um drama por tudo. É verdade que de vez em quando sou um pouco agressivo e bruto. Já fui uma vez levado à delegacia por dar uns tapas em Judith. Não que eu me orgulhe disso, mas acontece. Acho que sempre ter sido fraco perante os homens fez com que o meu lado canalha-de-levantar-a-mão-contra-mulheres aparecesse. Não era um hábito, mas já aconteceu mais de uma vez. Com Michelle era ainda mais fácil. Entre seus traços mais extravagantes estavam o piercing vaginal e o tesão por ser tratada como uma p*ta. Ela me beija e eu vejo como ela fica excitada quando eu a machuco. Achei que era coisa da cama, mas pelo visto, até em público ela fica quente. Infelizmente, não estou com cabeça pra isso agora.

Allan abre o livro novamente e começa a ler. A história é estranha e o seu fim mais ainda. Eu viro suas páginas com força e fico nervoso. Não tem mais nada, a não ser "Muito siso e pouco riso fazem de Jack infeliz". Quem diabos é Jack e que merda é...
Meu telefone toca. É um número estranho e eu penso em não atender. Mas a curiosidade é muito poderosa e eu me atrevo a clicar no botão verde que diz "YES".

A conversa com o Capitão Cragen é rápida. Tudo isso parece coisa do "Além da Imaginação". Deus, eu odeio aquele programa. Eu me levanto logo. Não posso esperar pra ver se tudo não passa de uma brincadeira de mau gosto ou coisa do gênero. Não esperarei o fim da premiação.
Allan: Michelle, eu tenho de sair daqui!
Sem dar mais explicações, Allan ia saindo atravessando a platéia e pedindo licença sob os protestos de pisões no pé. Allan não esperaria ninguém. Ele entraria em seu jaguar verde musgo e iria em encontro ao local onde o Capitão Cragen disseram ter achado sua filha. No caminho, ele tentaria contato com Judith. Se não conseguisse, deixaria um recado na secretária eletrônica dela.
Allan: Judith? É o Allan. O Capitão Cragen te ligou a respeito... parece que acharam a Mel, Judy. Parece que acharam nosso bebê.
A quanto tempo Allan não chamava Judith pelo seu apelido? Ele não lembrava. Parecia que sua vida estava prestes a tomar um rumo que ele nunca havia se preparado para tomar.

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Nasinbene em Seg Ago 15, 2011 12:49 pm

A noite continua seguindo seu curso, não importa o que façamos a respeito. Como eu imaginei, depois de falar com John, o tira veior falar comigo. Apesar de eu me mostar o mais amigavel possivel, não gostava de tiras. Não que eu tivesse problemas pela lei, pelo contrário. A merda é que a presença desses caras sempre me lembrava aquele dia amaldiçoado.
O cara se aproxima se apresenta como detetive Elliot Meloni, da divisão de crimes especiais. Como num relâmpago, tudo se junta na minha cabeça. Demorei pra reconhecer, afinal eu não tava prestando atenção na TV, mas aquela menina era a filha do Fraid. O nome, a presença do detetive, tudo isso tornava tudo óbvio demais. Só não explicava o mais surpreendente: como diabos aquela menina estraçalhou o filho da mãe daquele jeito? E por não envelheceu, se era a tal Melaine?
Me perco em meus pensamento e quando dou por mim, estou com o tal detetive sentado do meu lado, tomando cerveja e fazendo perguntas. Esse é o mau de se estar chapado: teu tempo de reação cai ao nivel do chão. Começo me apresentando pro cara também. Estendo a mão pro cara e digo meu nome a ele. Formallidade, John já deve ter passado minha capivara completa pro cara:

- Edward McCann, os amigos me chamam de Mac. Podemos conversar numa boa, detetive só não acho que qualquer coisa que eu diga vá te ajudar muito...

De maneira respeitosa (ou pelo menos o mais possivel naquele buraco fedido que o John chamava de bar) cumprimento a moça, comm um aceno de cabeça. Dou uma golada prolongada na minha caneca enquanto escuto o tira dizer umas merdas sobre a minha vida... Porra, que diabos esse almofadinha do caralho sabe da minha vida? Bom, na certa essa cara não dve ter perdido nada nem ninguém desde a faculdade...

- Vida, Detetive? Eu precisaria ter uma pra que você pudesse vasculhar alguma coisa, cara. Desde que perdi minha família não sei que porra é essa...

Termino de falar e boto mais um gole vigoroso de cerveja pra dentro. Faço um sinal a John que ele entende bem: mantenha meu copo cheio. O Detetive pede detalhes sobre o que aconteceu naquele beco, e assim que John traz a nova caneca eu relato ao detetive o que se passou:

- Fui uma das noites mais estranhas da minha vida, cara... Fui lá pro beco tirar a água do joelho por que a pocilga que o John chama de banheiro não dá pra usar. tava me aliviando numa boa quando aquele maldito viciado quis tirar meus pertences... eu tava bebaço demais mas já pensava num modo de me livrar quando as coisas enlouqueceram... Aquele menininha ali, doce como um anjo trucidou o cara como um pitbull mal alimentado. Nunca vi nada assim... aí, por mais que a menina parecesse bizarra, achei melhor trazer ela pra dentro... alguém chamou os tiras e cá estamos nós, tendo essa conversa agradável...

Tomo mais um gole. Era minha vez de perguntar ao tira algo que não estava encaixando:

- Aquela menina...é Melaine Fraid, certo? Explica uma coisa aqui pra mim xará... como pode a menina ainda estar desse tamanho? Já se passaram anos desde o desaparecimento, certo? Me lembro de ter visto o caso na tv... e aí, detetive... como issso é possivel?

Pela cara dele, é mole perceber que a mesma coisa está se passando pela cabeça do Detetive. Acho que essa merda de noite ainda vai piorar um bocado antes de melhorar...
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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Drako em Qua Ago 17, 2011 7:45 pm

Elliot: Como se eu soubesse a resposta. Toda a informação que eu recebo só me traz duvidas. Vai por mim, nada que está rolando aqui é normal, e olha que eu já vi bastante coisa na minha vida.

Nada se encaixa. Melaine, com a mesma aparência de sete anos atrás, reaparece no mesmo dia em que seu pai está recebendo prêmios com a história da tragédia dela, e pelo que o Mac disse, a garota estraçalhou o marginal. Mac é um cara comum, só estava no lugar errado na hora errada, não vou conseguir mais informações além das que ele me deu. Puxo o meu cartão do paletó e deixo na mesa, para ele.

Elliot: Esse é o meu cartão, qualquer informação que julgue importante para a nossa investigação ou que seja fora do normal, não hesite em me ligar.–Estendo a mão a ele—Obrigado pela ajuda.

Dou a ultima golada na cerveja, coloco-a de volta ao balcão e me levanto.

Elliot: Liv, dê uma olhada na garota para mim. Preciso conferir o cadáver do homem que atacou o senhor McCann.

Então vou até onde o cara atacado pela Melaine está. Não entendo como uma garotinha possa ter feito tal coisa, também não sei se acredito, há tanto mistério aqui que faz minha cabeça doer. Preciso fechar esse caso, não posso falhar com a menina e sua família mais uma vez.

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Phelipe Peregrino em Sab Out 08, 2011 11:21 am

A cena na sua frente não era bonita. O corpo à sua frente estava em um estado deplorável, e havia pedaços espalhados por todos os lados. Não precisaria ser um perito para saber que o homem fora despedaçado por intermédio de mera força bruta. Era impossível uma criança conseguir fazer um estrago daqueles. Sua mente tentava entender o cenário que se desenrolava enquanto a movimentação de curiosos do outro lado da faixa policial começava a se multiplicar.

Olivia: El. - Ele se assustou com o fato de nem ter visto ela se aproximando. Estava mais mergulhado naquilo do que ele mesmo imaginava. - Cê tá legal? - Ela se abaixou ao lado dele e colocou a mão em seu ombro. - Temos que levar a menina para a central.

Na delegacia, o detetive Elliot observava a criança sentada, balançando as pernas e cantarolando, do outro lado do vidro. Achava um absurdo terem que manter a pequena Melaine naquela sala e, mesmo sem querer, sentia um apego anormal pela criança. Por isso, ver ela ali, sozinha e desprotegida, o irritava. Sempre achou as salas de interrogatório desconfortáveis para quem tinha que ficar esperando lá dentro, mas agora, não achava apenas desconfortável, achava-as cruéis. Mas ele ficava se repetindo: "não pode ser a Melaine". Isso ajudava, um pouco. Seu lado racional insistia que ele estava diante de uma criança qualquer que acabara de matar um homem em um beco imundo no canto da cidade.

Ali, escorado numa mesa, ele esperava o psicólogo vir para conversar com a menina, e esperava que os pais dela também chegassem. Só então lembrou o quanto estava ressentido com Alan Fraid, o homem que vendera a menina para o mundo. Lembrou dele e sentiu uma profunda raiva. Mas, então, olhou novamente para a menina que ficava ali sentada e se mantinha completamente alheia à tudo o que estava acontecendo.

Edward McCann estava sentado do lado de fora da sala e maldizia sua sorte. Maldizia a burocracia que arrastaria aquele país para um mar de lama do caralho! Ele era a vítima naquela merda de história e agora estava aqui, sentado num banco fedendo à mijo de viciado esperando alguém vir e pegar seu depoimento. Nas suas mãos um café quente que irritava suas mãos mas ajudou a afastar o frio da madrugada. Sua cabeça voltava a doer depois que a adrenalina passou e se "lembrou" que estava de ressaca. Lembrou de sua família cozinhando viva naquele acidente. E pediu, com todas as forças, uma garrafa de vodka.

????: Toma. - Alguém estendeu um copo de coca-cola, desses típicos de fast-food, em sua direção. Ele olhou e fez uma certa cara de nojo, mas ao ver quem estava oferecendo sabia que ali dentro poderia ter qualquer coisa... Menos Coca-Cola!

Mac: John... Te arrastaram pra cá também, cara?

John Locke: Que merda, né? - Ele sorriu. - Mas acho que teria vindo pra cá se não tivessem me arrastado. Eu adoro esse tipo de bagunça... E, nem fodendo que eu perco a oportunidade de descobrir o que pode vir a ser o mais novo personagem de um livro do Fraid. E, pô... Se viu quem fez a mulher dele no filme? Aquela gostosa da Kate Hudson... Se a mulher dele de verdade for metade da Kate, e eles tão mesmo divorciados, quem sabe eu não consigo dar uns sapecos?

Mac olhou para ele tentando entender se aquilo foi algo muito inteligente ou muito idiota. E também, tentou entender em que momento o barman de um bar que ele ia vez ou outra acabou se tornando seu amigo. Então lembrou do rosto de sua filha chorando e resolveu desistir de tentar entender qualquer coisa, tomando um gole de "vai-saber-o-que" que ele havia trago.

Foi exatamente nesse momento que Alan e Judith Fraid passaram pelo corredor e entraram na sala. Olivia se apreçou para recebê-los. John o cutucou e sussurrou:

John Locke: Caralho, cara! É Alan Fraid... - Ele pensou um segundo. - Aquela deve ser a Judith. - Ele fez uma cara de decepção. - Que bosta... Ela não se parece nada com a Kate Hudson!

Olivia se apressou para receber os Fraid.

Olivia: Senhor e Senhora Fraid, obrigado por terem vindo.

Judith: Andrews. - Judith interrompeu de maneira seca. Por um momento, Alan até se sentiu ofendido com a ênfase que ela deu ao fato dos dois não estarem mais juntos. Chegou, por um momento, a pensar não quanto ele tinha pisado na bola. Mas foi só por um momento. - Judith Andrews... Alan e eu nos divorciamos.

Olívia: Certo. Me desculpe.

Elliot ajeitou-se em frente ao grande vidro que permitia a visão para dentro da salinha. Não queria deixar que o casal visse a menina. Não antes que fosse necessário. Sabia que aquela não poderia ser a Melaine, mas sabia que aquilo não iria importar para o casal... Pelo menos não de início e não para a mãe. Do pai ("Esse filho da puta") ele esperava qualquer coisa.

Judith: Eu quero ver minha filha!

Alan: É verdade--? Vocês acharam ela?

Elliot: Eu... - Ele pensou na resposta que daria. - Nós--

Judith: Mealine! - Gritou.

Elliot olhou para trás e viu que a menina olhava para eles através do vidro como se ele não estivesse lá. Como se o vidro de dupla-face fosse um vidro translúcido comum. Olhava para eles com um sorriso angelical e completamente carinhoso. Elliot sentiu que não importava se ela era ou não a verdadeira Melaine, seu coração estava em paz. Alan, ao olhar o rosto angelical de sua filha, se arrependeu de ter dito que o demônio havia arrastado-a para o inferno. Desejou, de coração, que ele pudesse levá-la para casa, e ele Judith e Melaine seriam uma família de novo. Mas, não demorou, para toda a sua fantasia do sonho americano começasse a ruir. Aquela não poderia ser ela! Ela ainda estava como era quando sumiu... Era impossível.

Foi nesse momento, quando toda a aura de fantasia se desfez ao seu redor, que Melaine olhou para ele e desfez seu sorriso, dando lugar à uma tristeza quase palpável. Ela, então, começou a virar o pescoço. Chegou até o limite do que um pescoço humano poderia chegar e mas não parou. Um som da pele sendo forçada e se rasgando frente à força que ela exercia para continuar o movimento circular e, com um estalo que pode ser claramente ouvido, seu pescoço quebrou, um barulho seco de algo se partindo que foi, imediatamente seguido pelo modo como sua cabeça pendeu para o lado, espirrando sangue até o teto da pequena sala e como se aquilo não incomodasse, ela continuou a girar a cabeça.

Elliot correu para abrir a pequena porta que separava os dois ambientes, mas ela se recusava a abrir. Imediatamente ele começou a socar a porta com os ombros, tentando arrombá-la. Mas não conseguia, não importava a força que fazia. Olhou para Melaine que já tinha virado o pescoço completamente. Judith já tinha desmaiado e Olivia olhava a cena horrorizada.

Melaine ergueu uma mão ensanguentada e, com o indicador, escreveu no vidro:
John Locke puxou Mac pelo braço para a direção da sala onde os Fraid haviam entrado. Gostava de confusão e, ao ouvir os gritos vindos da sala, não perdeu a chance de ver do que se tratava. Mac pode ver horrorizado a menina com o pescoço completamente retorcido enquanto escrevia com os dedos e com sangue. Um som de ossos quebrando e sangue espirrando invadia o ouvido de todos... Era quase ensurdecedor.

A porta abriu e Elliot finalmente pude entrar na sala, mas não acreditou no que via. Melaine ainda estava sentada, com um sorriso agradável e angelical. Olhava para ele com cara de quem esperava boas noticias.

A única coisa que permanecia como estava antes de ele entrar na sala era as letras impressas em sangue no vidro “M A FRAID”.

Olivia: “Estou com medo...?” – Ela disse, logo depois que entrou na sala, sem ter muita certeza.

Elliot: Não. – Disse com um nó na garganta. – Melaine Andrews Fraid.

Mac olhou a cena sem entender bem o que estava acontecendo. Muita gritaria e as pessoas da delegacia começavam a se aglomerar ao seu redor. Já estava começando a pensar em aproveitar a confusão e dar o fora dali, imaginando se seria ou não considerado foragido ou algo assim. Foi quando sentiu uma mão puxando-o para fora da multidão. Pensou que seria Locke, mas se deparou com dois senhores de aparência bem distinta que, à primeira vista, se destacavam de forma completamente singular da multidão.
????: Queira nos acompanhar, por gentileza... – Disse aquele sem barba. Ele tinha um sotaque forte, o que denunciava que não estava no país a muito tempo e que nem mesmo falava inglês como primeira língua.

????: Garoto... – Falou aquele com barba. – Você não sabe a merda onde se meteu.


Última edição por Besouro Azul em Qua Fev 12, 2014 8:52 pm, editado 1 vez(es)

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Nasinbene em Qua Out 12, 2011 9:05 pm

A anos que eu não tinha uma noite tão filha da puta quanto essa. Comemçou como sempre começa, com a imagem da minha mulher e minha filha queimando naquele maldito carro. Fui ao bar do John, encher a cara pra me livrar da culpa como sempre faço. Foi quando a merda começou a bater no ventilador.
Aqui estou, na delegacia, graças ao inficiente e estúpido sistema de justiça, pra prestar depoimento sobre um caso no qual a maior vítima fui eu. Eu mal encostei naquele viciadinho de merda. Diabos, eu tava tão louco que nem vi o canalha chegando. Só o que eu vi foi a menina, Melaine, transformando o cara em carne moída. Tem muita coisa mal explicada sobre essa menina, e o tira, Eliot sabe disso. Deve ser por isso que ele me trouxe aqui. Apesar de eu não gostar de tiras, simpatizei com esse cara. Um cara que reconhece que seu trabalho é foda o bastante pra parar e tomar uma cerva merece certa consideração...
Falando em cerva, minha cabeça parece que vai explodir. Parece que estão reformando o metrô e a porra do mestre de obras achou que meu crânio era um lugar bacana pra começar. E essa merda que eles chama de café... não está ajudando. Sério, já vi botecos que deixariam essa água suja aqui no chinelo...
Penso nessas coisas quando um copo de Coca-Cola é estendido pra mim. Eu estav prestes a cuspir no copo e mandar o dono dele à merda quando vejo o cara que tava me estendendo ele... John Locke.
Não sei como, John conseguiu trazer bebida pra dentro da delegacia. Acho que o cara tinha entendido que seu destino era ser barman e tinha um estoque inesgotável em algum bolso do casaco. Um tipo de salvador dos bêbados...
Naquele momento, John era isso mesmo. Um salva-vidas. Eu sempre digo, nada melhor pra curar uma ressaca que mandar outro trago de encontro. E por Deus, seja lá o que for que John tenh posto nesse copo, ficou bom pacas...
Ele começa a tagarelar algo sobre Fraid e a mulher e sobre Kate Hudson fazer o papel dela no filme. O cara é tão estúpido que chega a ser brilhante. Uma simplicidade idiota. Fico pensando que apesar de idiota, esse cara acabou se tornando meu amigo com o passar dos anos. Quando se frequenta um boteco por muitos anos, acaba-se tendo familiaridade com o barman...
Nesse momento, os Fraid invadem a delegacia, num ímpeto de fazer inveja a um touro frente a um toureiro. Não sei se posso culpá-los. se houvesse a mais remota chance de minha menina ainda estar viva, com certeza eu estaria mais louco eles...
Assim que bota os olhos na mulher do Fraid, John começa a expressar seu descontentamento com o fato da dita cuja não se parecer nada com a Kate Hudson... Não posso dizer que ele ta errado. A mulher não parecia a coisa mais brilhante que Fraid havia feito na vida....
Eu continuei ali, sorvendo aos poucos a bebida que John tinha preparado quando Eliot conduz os Fraid para a sala onde Melaine estava. Segundos depois, começa o pandemônio.
O som de gritos chega aos meus ouvidos, seguidos do som de alguém esmurrando uma porta. Mal posso resisitir a John quando ele me arrasta até a sala para ver do que se tratava. No caminho, ouço algo parecido com o som de gallhos secos se partindo, seguidos pelo som de tecido velho sendo rasgado...
Maldito John, eu podia morrer sem ver essa cena do caralho...
A cena da guira despedaçando o vciado foi ficha perto do que eu tava vendo vendo ali. Faço um esforço monumental pra impedir que meu almoço terminasse a noite cobrindo minhas botas. A cabeça da menina tava completamente virada para trás. O sangue dela havia transformado a sala numa porra de um abatedouro. Acho que já vi abatedouros mais organizados. No momento seguinte, Eliot consegue entrar na sala e tudo volta ao normal, a não ser por um detalhe: a menina havia usado seu sangue para escrever no vidro da sala. Não fosse por esse detalhe, juro que eu pararia de beber hoje. Ou talvez não. Talvez eu apenas culpasse John por ter colocado Varsol na minha bebida e pedido uma cerveja...
O lado bom da confusão (se é que há um lado bom nisso tudo) era o fato de estar juntando mais gente ali que no Mc Donad's em dia de promoção. Era minha deixa para picar a mula daqui. Eu quero pular fora desse trem maluco e cair na noite antes que seja tarde demais. Nesse momento, sinto uma mão sobre meu ombro me puxando pra fora da confusão. Beleza, John pensou no mesmo que eu e vamos puxar o carro. No momento em que boto os olhos em quem tinha me puxado, percebo que minhas esperanças de sair dessa confusão diminuem a cada momento:


????:- Queira nos acompanhar, por gentileza... Disse o primeiro, com uma merda de sotaque que eu nunca tinha ouvido...

????:- Garoto... Você não sabe a merda onde se meteu. Disse o segundo, com uma barbicha à lá Wall Street.

Não gosto que me toquem. Na boa, não gosto mesmo. Quebrei a mão de um cara uma vez por conta disso. Vou dar uma colher de chá pra esse dois aí até saber qual é a deles. Então, fecho a cara e encaro os dois. Feliz, não sou bonito. Emburrado então...

- Não vou lugar nenhum com vocês, moçada... e quebro teu pescoço se tentar me levar contra minha vontade, ô da barbicha... a anos que ninguém me chama de garoto, por razões óbvias... E já que ce sabe a merda em que me meti, xará, que tal ce começar a cantar? Sabe alguma coisa da dublê de Linda Blair ali? Falaí xará... me poupa o trabalho de arrancar de você

Eu vou te contar... tenho que pra mim que essa merda de noite vai piorar MUITO ainda antes de começar a melhorar...Como eu disse, a noite mais filha da puta em anos...
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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Scorpion em Sab Nov 05, 2011 11:08 pm

Alan ainda estava abismado com o que via. Aquela garota ali dentro era idêntica à sua filha, Melaine, mas não... não poderia ser Melaine. A garota começou a girar o pescoço até praticamente partí-lo, como uma paródia doentia do Exorcista, de William Peter Blatty!
Alan: Deus do Céu! Façam alguma...
O detetive Ellis tentava arrombar a porta com os ombros, mas Alan via sua filhinha quebrar o próprio pescoço. Judith desmaiou, enquanto a outra policial apenas levava a mão à boca em horror. Alan não sabia o que fazer. Ele agarrou a arma no coldre de Olívia e a empurrou, desesperado e sem pensar. Então, ele disparou algumas vezes contra o vidro da sala de interrogatório, visando quebrá-lo. Dispararou duas vezes, até cair para trás com o coice da arma e sua constituição frágil. Ele então agarrou uma das cadeiras e jogou contra o vidro para terminar de quebrá-lo, mas... Ellis conseguiu entrar!
Alan correu estabanado como sempre e entrou na sala. Ele caiu de joelhos diante de sua filha, quase sem perceber que o corpulento detetive estava no local também. Ele agarrou Melaine e começou a esfregar seu rostinho, como se removese marcas de lama dele.
Alan: Mel! Floquinho de Neve! Você.. você voltou!? Oh, Deus! Onde você esteve, meu anjo? Onde?
Alan abraçava a garota forte contra seu peito. O escritor chorava em bicas e constantemente afastava-a um pouco para olhá-la melhor.
Alan: Meu amor... eu sinto... eu sinto muito! Tudo o que aconteceu! Você estava assustada, não estava? Judith! JUDITH, mulher! Venha aqui, pelo amor de Jesus Cristo! Nossa filhinha... nossa Melaine!
Alan abraçava sua filha e então fez um aceno com seu rosto inchado de lágrimas para o detetive. Ele disse quase sem voz.
Alan: Obrigado... obrigado...

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Drako em Qui Jan 23, 2014 12:01 am

Spoiler:
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Deus do céu...

Segundos atrás eu me perguntava como ela ainda poderia ter a mesma aparência de 7 anos atrás, mas agora eu só consigo pensar em como salvá-la desse horror!

Mealine está com o pescoço quebrado, girando sua cabeça, espirando um jato de sangue infernal, enquanto eu tento a todo custo arrombar a porta. Não consigo. Sinto-me impotente diante da cena mais aterrorizante que já vi em toda a minha vida. A única coisa que consigo fazer é recuar para trás e assistir a pobre menina escrever algo no vidro.

Alan rouba a arma de Olivia e atira contra o vidro. Ele teve mais frieza do que eu pude sequer pensar em ter, ao ponto de me despertar novamente, tentando mais uma vez forçar a porta da sala. Eis que ela se abre finalmente.

Foi no máximo um segundo do momento em que abri a porta e vislumbrei o interior do local, já me preparando para correr em direção da menina, porém, na minha mente foi mais do que isso. Eu estava pronto para entrar lá, tirar a criança daquele local e me culpar para sempre por não ter conseguido salva-la. De novo.

Mas não foi isso que eu vi quando minha mente voltou a frequência de tempo normal. Fiquei parado, frente a porta, com a mão ainda na maçaneta. Não conseguia acreditar.

Mealine estava na mesma posição de antes, com um sorriso angelical, como se nada tivesse acontecido. E realmente nada aconteceu! Estaria delirando? Não, impossível. A ex-mulher do Fraid desmaiou e o próprio se desesperou a ponto de roubar a arma de uma policial. Aquilo foi real.

Alan corre destrambelhado até a sua filha, abraçando-a forte. Ele estava aliviado, e foi a primeira vez que não senti nojo desse filho da puta em anos. Aos prantos, com o rosto cheio de lágrimas ele me diz obrigado. Obrigado pelo que? Eu não fiz absolutamente nada. Aceno com a cabeça, de forma afirmativa. Saio da sala e deixo-os terem seu momento.

Dou dos passos para fora daquele maldito cubículo, olhando fixamente para baixo, tentando montar esse quebra cabeça doentio em minha mente. Nada. Cambaleio para frente e me escoro na parede. Sinto como se fosse ter um ataque. Seguro alguns segundos para me recompor. Ando e fico ao lado da Liv, olhando fixamente para a sala pelo vidro. Ela está tão espantada quanto eu. É ai que eu finalmente percebo e tenho a certeza de que aquilo tudo foi real. As letras em sangue ainda estão lá!

Elliot:
Diga-me que você viu tudo isso e que não estou louco, Liv. Esse caso está longe de terminar.—Olho para o rosto de minha parceira, e ela para mim— E não algo me diz que aquelas letras de sangue podem nos levar até a resposta.


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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Phelipe Peregrino em Qui Jan 23, 2014 9:21 am

Mac: Não vou lugar nenhum com vocês, moçada... - Disse sacudindo os ombros para afastar as mãos que lhe tocavam, sentindo aquela angústia e fúria concomitante ao estado de sobriedade que lhe traziam as recordações de sua filha queimando. - E quebro teu pescoço se tentar me levar contra minha vontade, ô da barbicha... - Como ele queria um trago. Qualquer porcaria com álcool que ele pudesse enfiar na garganta e esquecer. - A anos que ninguém me chama de garoto, por razões óbvias... E já que ce sabe a merda em que me meti, xará, que tal ce começar a cantar? Sabe alguma coisa da dublê de Linda Blair ali? Falaí xará... Me poupa o trabalho de arrancar de você.

Os homens pareceram surpresos. Mac pode notar que nenhum deles estava muito acostumado a ser contestado e não estavam gostando da novidade.

????: υπόκεινται αμελητέα - O homem falou num tom de escárnio. Mac não entendeu o que ele falava mas reconheceu o idioma, das velhas aulas de Mitologia: Grego. Explicava o sotaque forte.

????: Acho que não fomos claros o suficiente com você, filho: - O outro homem pareceu sevéro e austero, mas Mac pode notar o olho de vidro que dançava em sua órbita direita. Discreto, mas Mac sempre foi bom para observar detalhes. - Isso não foi um convite.

***
Alan: Mel! Floquinho de Neve! Você... você voltou!? - Alan abraçava Melaine com força, ao mesmo tempo com a temerosidade de quem toca uma delicada porcelana chinesa de dois mil anos. - Oh, Deus! Onde você esteve, meu anjo? Onde?

Ele chorava de forma quase jocosa, e, em sua mente tudo voltaria a ser como antes, por um breve momento. Sim! Judith chegaria e eles se abraçariam. Ele mandaria tudo para o inferno e parar de se perguntar que porra tinha acontecido com sua filha. Ligaria para os produtores e cancelaria o reality show, queimaria seus livros e eles voltariam a ser só os Fraid. Ele corretor de seguros (ou qualquer merda que o valha), ela confeiteira em uma cupcakaria. Melaine iria para a escola, tiraria A+ em tudo, seria líder da equipe de debates. Se formaria em odontologia. Sim! Era isso que ia acontecer.

Pelo menos por um segundo.

Alan: Meu amor... Eu sinto... Eu sinto muito! Tudo o que aconteceu! Você estava assustada, não estava? Judith! JUDITH, mulher! Venha aqui, pelo amor de Jesus Cristo! Nossa filhinha... Nossa Melaine! - Alan olha para o detetive Elliot, foi ele! Ele salvou sua filha. Demorou para acontecer, mas ele achou. - Obrigado... Obrigado...

"Pelo quê? Eu não fiz absolutamente nada." ele pensa. Pouco a pouco, a névoa do susto vai se dissipando, deixando no lugar a óbvia necessidade de tentar entender o que estava acontecendo.

O local exalava, sim, um cheiro de sangue. Elliot conhecia bem esse cheiro, mais do que isso, lá estava, escrito no vermelho carmesim, "M A FRAID". Foi real, cada fibra de sua pele sabia disso. Mas... Mas que merda foi essa?!

Elliot: Diga-me que você viu tudo isso e que não estou louco, Liv.

Olivia: Claro que eu vi, El. Só não me pede para explicar...

Elliot: Esse caso está longe de terminar. E algo me diz que aquelas letras de sangue podem nos levar até a resposta.

Olivia: Tem razão. - Ela concordou movendo a cabeça de forma quase cômica, como se o movimento servisse para despertá-la de um transe. - Vou pedir uma análise de DNA do sangue, pode nos dar alguma pista a seguir.

????: Temos que tirar eles de lá.

A voz é arrastada e levemente arrogante, e Elliot sabia que só pode ter vindo de uma pessoa.

Fin Tutuola: Temos que tirar ele de lá, El.

Olivia: Por quê?

John Munch: Aquela não pode ser a Melaine. - Ele disse olhando para a sala onde a menina estava. Judith Andrews, agora, se juntara ao ex-marido no abraço carinhoso. Aos olhos de Elliot, pareceu uma família perfeitamente normal. - Se passaram sete anos. Aquela não pode ser ela.

***
John Locke: Wow, wow, wow, cara. - John se colocou no meio da conversa e Mac sentiu que, se ele não o tivesse feito, teria partido para cima do barbudo arrogante no meio de uma delegacia. - Não pode chegar aqui e arrastar alguém assim.

O home do olho de vidro pareceu ficar particularmente irritado com a interferência, mas essa irritação se dissipou no mesmo instante em que ela veio.

????: Filho, eu vou te chamar mais uma ultima vez...

????: Da próxima vez... - O Grego se aproximou mais um pouco, e Mac pode notar seu prendedor de gravatas em forma de raio, depois se perguntou porque caralhos foi reparar numa coisa tão idiota. - Não vai ser um convite.

Capitão Cragen: O que vocês estão fazendo na minha delegacia?

A voz do capitão é imponente e autoritária e Mac, mais uma vez, sentiu que ficou à dois segundos de socar a cara de alguém.

????: Não se preocupe, filho. - Disse o homem do olho de vidro. - Somos do FBI. - O homem puxou do bolso um lenço branco. Era, sim, só um lenço. E o segurou como se segura um distintivo policial. - Estamos aqui para executar um mandato contra esse homem.

O Capitão Cragen toma o lenço nas mãos e o olha por uns segundos, como quem lê alguma informação... Uma informação em um distintivo? Mas, caralho, era só um lenço! Na seu interior, sua alma pedia por algo para beber, algo que o afastasse de toda essa merda.

Capitão Cragen: Então tudo bem. - Ele disse devolvendo o lenço. - Mas as coisas já estão bem confusas por aqui, então fariam um favor se saírem logo.

????: Sem problemas, capitão. - O grego respondeu sorrindo. O capitão se afasta. - E então, Mac?

Antes que ele respondesse, o homem do olho de vidro se afasta e vai caminhando na direção da pequena sala onde os detetives conversavam e, também, os Fraids tinham seu abençoado re-encontro. Mac sentiu tanto a falta de sua família. Sentiu tanta saudade de sua filha. E, principalmente, sentiu tanta vontade de beber qualquer coisa que fizesse aquela saudade ir embora.

***
????: Eu temo que esse encontro familiar tenha que ser interrompido.

A voz ecoou e o detetive Elliot viu um homem de trajes distintos e rosto imponente, beirando a arrogância. Uma barba bem feita e cabelos bem aparados, e, o que mais o irritou, uma forma de andar que gritava: sou intocável.

Olivia: Por ordem de quem?

????: Serviço Secreto. - O homem tirou um distintivo do bolso. Do outro lado da delegacia, Mac viu o homem bradando o mesmo lenço branco. - Temos um mandado para levar essa menina em custódia.


Última edição por Besouro Azul em Qua Fev 12, 2014 8:52 pm, editado 1 vez(es)

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Scorpion em Qui Jan 23, 2014 3:24 pm

Tudo não passou de um terrível pesadelo. Um pesadelo que a mente de Alan não poderia conceber. Parecia que as cenas mais assustadoras que a mente de Alan presenciavam nunca saía de sua própria mente, mas sempre de algo que envolvesse sua própria filha. Seria o choque de poder ter reencontrado a menina 7 anos depois de seu desaparecimento? Aquilo não importava… não mais.
Alan abraçou forte sua filha e a pegou nos braços, como um pai que carrega o filho adormecido para o seu leito. Ele saiu da sala de interrogatório com o vidro estilhaçado e parou perto do casal de policiais que estavam lá. Apesar de saber que os agentes não suportavam Alan, ele os admirava. Ambos pareciam nunca ter desistido do caso de Melaine e Alan sempre seria grato. Ele afagava o cabelo encaracolado de Melaine… o cabelo que ela nunca gostou. Havia puxado a família de Alan, pois quase todos tinham cabelos encaracolados. A família de Judy era toda loura e de cabelo liso… e Judy estava bonita com a nova cor alaranjada nos cabelos.



Alan Fraid fez um aceno de cabeça para os detetives, como um cumprimento agradecido. Seus olhos estavam inchados das lágrimas e ele mal tinha forças para falar. Ele apenas disse um obrigado que foi inaudível, não por má vontade, mas por falta de voz.
Alan: Nós… nós vamos pra casa. Ouviu, querida? Nós vamos pra casa, onde todas as suas bonecas, bichos de pelúcia e livros de contos estão te esperando. O papai e a mamãe vão cuidar de você, meu amor.
Quando Alan estava prestes a sair, ele pôde perceber que a sala estava lotada de agentes, policiais e um cara que dizia ser do Serviço Secreto. Este mesmo homem alegou que levaria Melaine em custódia.
Alan abraçou sua filha com mais força ainda, como se nada no mundo pudesse tirar suas mãos dela.
Alan: Do que você está falando? Você não levará minha filha, agora que eu a tenho de volta! Não me importa se você é a porra do presidente, eu atiraria em meio-mundo para impedir qualquer um de tirar a minha filha de mim, ouviu? Eu conheço os meus direitos! Sou um cidadão americano, pagador de impostos e fiel às leis! Tenho advogados que podem te impedir de fazer qualquer coisa, ouviu? Fique longe da minha filha, seu filho da puta desgraçado!
Fraid não tinha deixado de perceber que aquilo era muito suspeito. O homem apenas disse que era do Serviço Secreto, mas não chegou sequer a dar nenhuma credencial. Alan estava agressivo e, apesar de ser fraco e desengonçado, lutaria até a morte para impedir que aquele homem tocasse em sua filha!


Última edição por Gladiador Dourado em Qui Jan 23, 2014 7:54 pm, editado 2 vez(es)

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Nasinbene em Qui Jan 23, 2014 4:22 pm

Cara, vou te contar... tirando a noite em que minha família morreu naquele maldito acidente, esta noite está sendo, de longe a mais filha da puta em anos... Não me bastasse todo aquele entrevero com a piveta no buteco do John, me aparecem esses dois engomadinhos querendo me arrastar sei la pra onde, pra fazer sei lá o que. Mas uma coisa eu digo... a velha Sra McCann não criou filho pra sair seguindo o primeiro panaca que aparece.
Quando ameaço partir pra cima deles, os caras parecem não e até estranhar isso. Na certa, devem ser figurões da política ou algo do tipo. Mas que diabos esses caras querem comigo?

????: υπόκεινται αμελητέα

????: Acho que não fomos claros o suficiente com você, filho:Isso não foi um convite.

Peraí... esse cuzão ta falando grego. Literalmente... Meu grego ta meio enferrujado, não escuto essa merda desde os tempos da faculdade... Mas entendi o bastante pra não gostar. É algo sobre eu ser insuficiente ou insignificante... Viadinho engomado do caralho, eu mostro a ele o insignificante...

John Lock: Wow, wow, wow, cara. - Não pode chegar aqui e arrastar alguém assim.

John. Mais uma vez, percebo que esse nó cego me tira de uma roubada imensa. Eu tava pra amassar a fuça do greguinho ali quando John me interrompe se põe no meio da conversa. Sujeito esperto. No mínimo, eu seria fichado por bater nesse velho dentro de uma delegacia. Valeu, John...
Isso me deu alguns segundos pra parar e pensar... Apesar da maldita dor de cabeça de ressaca que ta me moendo aqui... Por que diabos um Grego com cara de figurão tá me procurando? E olhando mais atentamente pro barbicha, percebo que o cara usa um olho de vidro... Além de estar puto com o John por ele ter se envolvido na treta... Tá cada vez mais esquisito... John também tava lá... Por que o interesse em mim?
Dá pra notar o quanto o cara tá puto no tom de voz que ele usa pra mandar seu recado mais uma vez:

????: Filho, eu vou te chamar mais uma ultima vez...

????: Da próxima vez... Não vai ser um convite...

O marinheiro Zorba ali quase cola a cara dele na minha pra falar essa merda. Meu sangue ferve nas veias e dessa vez eu vou pra cima mesmo. Essa cara vai ter que comer por canudinho por um bom tempo...

Capitão Cragen: O que vocês estão fazendo na minha delegacia?

Ih, esse aí deve ser o pica das galáxias aqui do pedaço. Mano, ainda bem que esse cara apareceu aqui ou dessa vez eu ia em cana mesmo. Parece que o capitão ali resolveu checar qual é a dos velhotes... fecho ainda mais a cara, se o capitão precisasse de ajuda pra tirar esses caras daqui eu ia ficar mais que feliz em chutar as bundas deles... Enquanto o capitão conversa com os caras, percebo que o prendedor de gravata do grego tem a forma de um raio. Que merda, Mac... nem nessa situação de merda teu cérebro para de analisar esses detalhes... mas foda-se, esse caras já vão ser chutados daqui...

????: Não se preocupe, filho. Somos do FBI. Estamos aqui para executar um mandato contra esse homem.

FBI? O caralho que são! Até onde eu sei, os federais não aceitam estrangeiros... Peraí... O barbicha ta engabelando o capitão com uma porra de um lenço branco? Não, não pode ser... o homem não vai cair num truque ridículo desses...

Capitão Cragen: Então tudo bem. Mas as coisas já estão bem confusas por aqui, então fariam um favor se saírem logo.

????: Sem problemas, capitão. E então, Mac

Puta que pariu! O capitão ta picado a mula... Essa merda de lenço passou... E como esse cara sabe meu nome? O barbicha foi lá lidar com o Fraid me deixando com o Zorba aqui... Acho que tá na hora de esclarecer umas coisas. Já percebi que to atolado de merda até o pescoço, não vou conseguir puxar o carro daqui tão facil...
Vamos fazer o jogos desses caras:

- Escuta aqui, xará... Que merda foi aquela com o capitão? O circo chegou na cidade? E nem me vem com esse papo de FBI. Saquei que você e grego... Vamos fazer o seguinte, já que to curioso agora pra saber o que ta rolando aqui, vou contigo e o pirata do olho de vidro ali... Se manda John... ve se me descola algo pra beber enquanto eu troco uma idéia com o distinto aqui lá fora...

Não adiante teimar agora... Já vi que esses caras tem mais meios do que eu pensei... Vamos ver qual é a dele... Afinal, já to fudido mesmo...

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Drako em Dom Jan 26, 2014 3:33 pm

Eu e Olivia estamos chocados, tentando entender o que acabou de acontecer. Nada vem a minha cabeça, mas Liv, que sempre foi mais esperta, resolve levar o sangue no vidro para uma analise de DNA. Fin e Munch chegam logo depois. Deixe me dizer algo sobre esses dois. Enquanto um é o cara com a cabeça mais quente que eu conheço, o outro é calmo e frio, e essa diferença gigante de personalidade é o que, por incrível que pareça, os torna grandes amigos. São dois dos agentes mais confiáveis da 16° delegacia de Nova York.

Eles trazem de volta a ideia de que a menina não pode ser a verdadeira Melaine.

Elliot:
Eu sei disso, Munch. Eu sei.

Ficamos olhando o reencontro da família há muito destruída. Deixo minhas mãos confortavelmente colocadas nos bolsos de meu paletó, obviamente para esconder o fato de que elas estão suando bicas.

????:
Eu temo que esse encontro familiar tenha que ser interrompido.

Escuto essa voz e olho para trás. Era um senhor, usando boas roupas e de um rosto imponente. A primeira vista eu pensei ser o Paul Senior, o patriarca do Orange County Choppers, mas olhando mais atentamente vi que não era nem de perto tão assustador. Esse cara era engomadinho, andava e soava como se fosse superior. “Não me toque” era tudo que eu conseguia ler ao olhar para ele. Tsc, isso me irritava. Quem diabos é ele?

Olivia: Por ordem de quem?

???: Serviço Secreto. Temos um mandado para levar essa menina em custódia.

Ele tirou o distintivo e mostrou para a Olivia. Peraí, quem mais sabia desse caso? E como ele conseguiu um mandado para levar a menina em tão pouco tempo? Isso é estranho.

Alan: Do que você está falando? Você não levará minha filha, agora que eu a tenho de volta! Não me importa se você é a porra do presidente, eu atiraria em meio-mundo para impedir qualquer um de tirar a minha filha de mim, ouviu? Eu conheço os meus direitos! Sou um cidadão americano, pagador de impostos e fiel às leis! Tenho advogados que podem te impedir de fazer qualquer coisa, ouviu? Fique longe da minha filha, seu filho da puta desgraçado!

Alan resolve ficar agressivo de novo, faz ameaças e diz um monte de coisas. Quem ele pensa que é? Já pegou a arma de uma oficial agora pouco e agora está ameaçando pessoas dentro da delegacia? Sei pelo que ele está passando, mas se não se acalmar vai acabar tendo outros problemas.

Elliot:
Acalme-se, Senhor Fraid. Ninguém vai levar sua filha de você.

Caminho a passos lentos, frente ao homem, e estendo minha mão a ele, cumprimentando-o.

Elliot:
Detetive Elliot Meloni. O Senhor é? —Espero ele dizer seu nome e continuo— Deve ter algo que podemos fazer aqui, certo? Não creio que seja a hora mais adequada para separar essa família de novo. Eles passaram por muito, sabe? Claro que sabe. Você me parece um cara esperto. —Começo a tatear meu paletó, por todos os bolsos, procurando algo que eu sabia que não estava lá— Preciso de um cigarro, aceita um?

Pego a chave do carro, estendo a minha mão para a Olivia, passando-a para ela.

Elliot
: Liv, pode pegar o meu maço lá no Carro?

Olho fixamente para os olhos de minha parceira. Já disse antes, ela me conhece melhor que minhas duas ex-esposas. Sabe muito bem que eu não fumo, e sabe muito bem que estou me segurando a para controlar a situação, mas que cedo ou tarde, não vou conseguir continuar com isso. Nesse momento, ela estará no carro, pronta para que nós possamos seguir esse cara, seja lá para onde ele vá levar a Melaine.

Elliot:
Voltando ao assunto. Acho que podemos ser um pouco sensatos aqui. Gostaria também ver o seu mandado de novo. Bem, na verdade, eu não, mas uma pessoa que conhece melhor esses procedimentos.

Saco meu telefone, disco C no canto de buscas, e ligo para o primeiro nome que aparece.

Elliot:
Casey? Te acordei não foi? Eu preciso de você aqui na delegacia de policia, o quanto antes. Eu sei, eu sei que é tarde. Desculpe, mas venha logo.

Guardo meu celular e dou um sorriso debochado para o homem. Acabo de ligar para Casey Novak, minha advogada preferida, para dar uma olhada nesse mandado e caso necessário, trabalhar para os Fraid nesse caso. Também foi uma tentativa de ganhar mais algum tempo.


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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Phelipe Peregrino em Ter Jan 28, 2014 12:18 pm


Cheiro de algo... Ele não sabia o que era, na época, mas depois de anos servindo nas Forças Armadas ele sabe muito bem o que é: sangue. Mas a dança é inebriante e a fumaça começa a subir e invadir suas narinas. Era intorpecente, e todos os seus sentidos dançavam fora de sincronia e completamente alheios ao seu corpo.

Naquele momento, o pequeno Samuel sentiu que poderia flutuar. Mas havia, porém, um resquicio de realidade em meio aquele caos. Uma mão, quente, junto à sua. Steven. Olhava tudo ao seu redor com uma expressão assustada e, ele sentiu, que o irmão se segurava para não chorar. Pensou em dizer algo ao irmão, mas uma voz o interrompeu.

????: Steven. - Era seu pai. - Você precisa ficar aqui. Não deixe que seu irmão se machuque, tá bem?

Samuel: Papai, cadê a mamãe?

Pai: Mamãe está muito doente, meu filho. Mas essas pessoas vieram aqui para ajudá-la.

Samuel: Eles são médicos?

Ele perguntou no exato momento em que um homem negro, com uma calça branca e peito nu, porém pintado com uma grossa tintura, também branca em forma de simbolos que ele não conhecia, rodopiou ao redor da fogueira com um galo preto em mãos. O homem girou, gritou e atirou o animal no fogo.

Samuel: Quem são essas pessoas, papai? Eu tô com medo.

Steven: Eu quero ir pra casa.

Pai: Nós já vamos, meninos. Tenham calma. - Ele respirou fundo, como se mostrando que não tinha certeza do que iria dizer. - Tudo vai acabar bem...

????: Está na hora. - Um homem bem velho se aproximou, uma grande quantidade de ossos e caveiras ao redor do seu pescoço. - Estamos prontos para tirar o demônio de dentro de sua mulher.

Do que ele está falando? Samuel se perguntou. Mas o pai não deu a ele a oportunidade de dizer. Levantou-se e virou as costas para os dois. Cinco minutos depois, Samuel estaria vendo seu pai afogando-se em sangue, olhando-o com olhos opacos e sem vidas. Cinco minutos.

Seu pai se juntou aos homens que dançavam ao redor do fogo, entoando cançoes das quais ele nunca ouviu antes. Horrorizado, ele viu sua mãe sendo arrastada, lutando ferozmente contra os dois homens que a forçavam a se ajoelhar diante do velho com colares de caveira.

Quatro minutos.

Sua mãe lutava e seu corpo se contorcia de forma horrenda e totalmente não natural. Gritava com uma voz que não era a dela. Xingava, cuspia e urinava-se de forma degradante, e ele sentia as lágrimas de dor escorrendo em seus olhos.

Três minutos.

Sentiu a mão doer. Seu irmão apertava tão forte que seus dedos estavam roxos. Seu rosto retorcido em prantos e dentes cerrados, na angustiante agonia da impotência diante de algo. Ao mesmo tempo, o velho com colar de caveira falava em um tom agressivo, entoando o que pareciam orações.

Dois minutos.

Um dos homens se aproxima do velho com colar de caveira, em uma mão um galo, de penas negras como a noite e olhar penetrante. Na outra mão, um punhal, velho e retorcido. O velho ergueu o punhal e, novamente, pôs-se a entoar seu mantra.

Um minuto.

Sua mãe, num golpe rápido, saltou sob o velho do punhal, mordendo-lhe o pescoço. Samuel viu sangue espirrar numa altura que, aos seus olhos, pareciam alcançar a lua. Ela tomou o punhal das mãos do homem. Seu pai se lançou para tirar ela de lá.

Agora.

Ele viu quando o punhal nas mãos de sua mãe rasgou a garganta de seu pai. Viu quando ele cambaleou sem forças no exato momento em que a vida havia deixado-o. Viu quando ele foi ao chão num baque surdo.

Todos se afastaram da mulher, formando um circulo ao redor dela. Ela encarava a todos como um animal acoado. E então, seus olhos encontraram os dele. Samuel sentiu os olhos da mãe bem no fundo dos seus, e a expressão selvagem e retorcida em seu rosto se desfez. Lá estava o rosto carinhoso de sua mãe. Um instante depois, ela olhou ao redor e se deu conta de tudo. Seu rosto, agora, retorceu-se pela dor do choro.

Ela caiu de joelhos. E, mais uma vez, Samuel viu o punhal se projetar em direção à alguem que ama. Ele assistiu sem se mover quando sua mãe rasgou o próprio ventre.


***
????: "Alan Fraid deixou o local sem dar entrevistas." - Uma voz distante o acordou daquele mesmo sonho insistente, que atormentava sua noite e (por que não dizer?) sua vida. -  "Sua assistente disse que ele teve que tratar de assuntos particulares, mas não entrou em nenhum detalhes." - Ele olhou ao redor, era a TV, ligada no Scream Awards." - "Enquanto isso, a premiação continua acalorada, quando o vencedor do prêmio de "Melhor Decaptação" deixou todos (com o perdão do trocadilho) de queixos caídos ao--"

Samuel desligou a TV. Não tinha tempo para essas merdas, não o Agente Williams. Em sua mesa, papéis, relatórios inacabados, uma foto dele com o irmão num churrasco. Uma foto antiga em sua casa quando tinha 5 anos, antes de sua família ter sido destruída por uma criatura de outro mundo.

????: Eu também não tenho paciencia para essas coisas.

Samuel ergue a cabeça de sobressalto, seu parceiro entra na sala apontando para a TV e com uma caneca de café em mãos.

Fox Mulder: Scream Awards. - Ele sorriu de forma sarcástica, colocando o café na mesa. - Toma. - Ele empurrou a caneca. - Temos coisa pra fazer.

Samuel se levantou pegou a caneca e foi seguindo-o até sua mesa, onde um grande poster com um disco voador e a frase "Eu Quero Acreditar" se destacavam.

Samuel: Meu tipo de coisa ou o seu tipo de coisa? - Samuel disse se apoiando na mesa do parceiro e tomando um gole longo do café, que estava tão forte que o fez tossir. - Mas que porcaria! - Foi quando viu o exemplar de "A Criança que o Demônio Levou" na mesa do parceiro. Ele pegou e o ergueu na altura dos olhos. - Fox... Tá de sacanagem?

Mulder: Uma leitura interessante. - Fox olhou-o com um ar sarcástico. - Possessões, entidades malignas... Não pode acreditar nessas coisas, não é?

Samuel: Já discutimos sobre isso, Fox. - Ele falou virando as páginas do livro lentamente. - Eu já vi gente morrendo por causa dessas coisas. As pessoas deveriam parar de brincar com essas coisas.

Mulder: E eu já vi gente morrer por asfixia autoerótica. Mas isso não significa que eu vá parar com ela. - E riu de forma cretina.

Samuel o olhou e tentou decidir se queria socar a cara do amigo ou gargalhar com a ideia.

Mulder: Respondendo à sua pergunta: É "coisa sua". - Ele disse levantando da mesa. - O Aranha ligou. Disse que tem algo quente para nós dois. - O Aranha. Samuel o conheceu há uns anos. Era um imigrante ilegal que veio da áfrica, que sempre tinha uma história para contar. Traficante barra-pesada, mas (e é um grande "mas") o melhor informante que alguém como Samuel poderia querer. - Estamos indo vê-lo agora.

Samuel jogou o livro sobre a mesa e se inclinou para segui-lo, mas Mulder simplesmente o parou e, ergueu a voz.

Mulder: É melhor trazer isso. O Aranha disse que o que ele tem pra contar tem a ver com o livro.

***
Alan: Do que você está falando? Você não levará minha filha, agora que eu a tenho de volta! Não me importa se você é a porra do presidente, eu atiraria em meio-mundo para impedir qualquer um de tirar a minha filha de mim, ouviu? Eu conheço os meus direitos! Sou um cidadão americano, pagador de impostos e fiel às leis! Tenho advogados que podem te impedir de fazer qualquer coisa, ouviu? Fique longe da minha filha, seu filho da puta desgraçado!

O homem continuou inflexível olhando na direção de Alan.

????: Filho, é mesmo tão idiota à ponto de ameaçar um oficial federal em uma delegacia de polícia?

Elliot: Acalme-se, Senhor Fraid. Ninguém vai levar sua filha de você. - Elliot se aproxima do homem e estende a mão, o gesto é correspondido de forma formal. - Detetive Elliot Meloni. O Senhor é?

O homem sorri, como se estivesse esperando que alguém lhe fizesse essa pergunta o dia todo.

????: Pode me chamar de Ouw.

Elliot: Deve ter algo que podemos fazer aqui, certo? Não creio que seja a hora mais adequada para separar essa família de novo. Eles passaram por muito, sabe? Claro que sabe.

Ouw: Esse homem - Ele apontou para Alan. - não tem mais a guarda dessa menina, por isso precisamos levá-la.

Judith: Alan... - Ela estava assustada e aos prantos. Abraçava Melaine, que havia começado, também, a choramingar assustada. - Faça alguma coisa. Não pode deixar que ele leve ela de mim!

Melaine: Papai, eu tô com medo. Quem é esse homem?

Elliot: Você me parece um cara esperto. - Elliot tentava, de maneira sorrateira, ganhar tempo e manter a menina ao alcançe dos seus olhos, e usou da longa parceria para por em prática um plano de ação. - Preciso de um cigarro, aceita um? - O homem negou com a cabeça, apenas. - Liv, pode pegar o meu maço lá no Carro?

Ela o olhou por um instante, mas logo entendeu o estratagema.

Olivia: Claro. - Disse pegando as chaves.

Elliot: Voltando ao assunto. - Voltou-se novamente para o homem que disse se chamar Ouw. - Acho que podemos ser um pouco sensatos aqui. Gostaria também ver o seu mandado de novo. Bem, na verdade, eu não, mas uma pessoa que conhece melhor esses procedimentos.

Ouw: Filho, me escute. - Ele falou colocando a mão no ombro de Elliot. - Você quer fazer o seu trabalho e eu quero fazer o meu. Não vamos fazer disso um incidente entre as agências, nem vamos tentar medir quem tem o pau maior, certo? Apenas saia do meu caminho. Vou levar essa menina.

Melaine: Papai! - E Alan sentiu o aperto dos braços da filha o envolvendo.

Alan: Fique longe da minha filha, seu filho da puta desgraçado! - Alan gritou na direção do Agente Ouw, que manteve-se imóvel.

Ouw: SUA FILHA?! - Pela primeira vez, Elliot viu a expressão no rosto do homem mudar, ainda que por um instante. - Então me diga uma coisa, filho: Quantos anos ela tem? Olhe pra ela e responda isso: Quantos anos ela tem?

Alan já ia gritar a resposta. Como poderia não saber a idade da filha?! Ia gritar: "SETE, seu filho da puta desgraçado!" Mas a conta não estava certa. A filha teria, hoje, 14 anos. Mas lá estava. Sete anos depois e ainda com o sorriso, o tamanho, e a graça dos sete anos de idade.

Elliot interveio, sabia que essa era a pergunta de um milhão de dólares e sabia que ela não poderia ser respondida. Mas não queria deixar que a menina fosse levada.

Elliot: Gostaria também ver o seu mandado de novo. - Repetiu. Pegou o telefone e discou. - Casey? Te acordei não foi? Eu preciso de você aqui na delegacia de policia, o quanto antes. Eu sei, eu sei que é tarde. Desculpe, mas venha logo.

***
Mac: Escuta aqui, xará... Que merda foi aquela com o capitão? O circo chegou na cidade? E nem me vem com esse papo de FBI. Saquei que você e grego... Vamos fazer o seguinte, já que to curioso agora pra saber o que ta rolando aqui, vou contigo e o pirata do olho de vidro ali... Se manda John... Vê se me descola algo pra beber enquanto eu troco uma idéia com o distinto aqui lá fora...

????: Aqui não. Temos um lugar mais reservado para tratar de assuntos mais reservados. - Novamente aquele sotaque que Mac já estava começando a odiar. - Além disso, ainda temos mais umas paradas para fazer antes do relógio soar o gongo avisando que a hora das respostas chegou.

John Lock: Não pode estar falando sério, Mac! - Ele protestou. - Vai mesmo com esse cara?

????: Não se meta.

John Lock: Não pode falar assim comigo, amigão. - Ele respondeu de sopetão. E, por um instante, Mac sentiu como se o Grego decidisse não protestar contra aquilo e que não valia o esforço.

????: Logo tudo vai estar resolvido aqui. - Ele começou a caminhar pela delegacia em direção à saída. - Vamos para o carro.

Quando Mac mostrou intenção de seguí-lo, John o segurou pelo pulso.

John Lock: Ok. Então qual é o plano? Eu dou um jeito de te seguir? Você quer que eu vá atrás de você?

***
Ouw: Não me faça perder tempo, filho. - Elliot já estava começando a ficar irritado com a forma como o homem que disse se chamar Ouw (provavelmente o nome mais estranho que já viu) chamava a todos de "filho". - Olha, você parece um bom sujeito. Me faz lembrar do meu filho. Por que não encerramos essa conversa agora, ok? Eu VOU levar a menina.

***
O carro parou num beco escuro bem longe da 16a Delegacia de Polícia de NY. Em uma escala de disparidades, talvez tenha parado no lugar oposto à delegacia.

Era a residencia do traficante conhecido como Aranha.

Os agentes Williams e Mulder desceram do carro olhando ao redor. Tinham salvo-conduto para estar ali, graças à ação do Aranha como informante, mas sempre havia o perigo de um traficante querendo bancar o herói vingador querer meter uma bala na cabeça de dois agentes de um gabinete desacreditado do FBI.

Entrar na casa era como entrar num museu. O Aranha tinha varios objetos de decoração vindos direto da africa, mas tratava com carinho especial um ostensivo tigre, empalhado no meio do salão principal. Samuel sempre questionou a qualidade do trabalho de taxidermia feita no animal, porque, apesar da beleza impecavel no pelo e nas feições, ele não conseguiu deixar de notar que o animal não tinha testículos.

????: Se não são minha dupla americana favorita, depois de Bonnie e Clyde. - O Aranha veio ao encontro deles, caminhando com passos largos pelo salão usando trajes típicos da africa.

Mulder: Se não é meu africano favorito, depois do Simba!

Aranha: Muito engraçado, Mulder. - Ele falou em tom violento.

Williams: Hoje eu não tô bem, Aranha. Vamos direto ao ponto, certo?

Aranha: Direto ao ponto. - Ele sorriu. - Para as duas partes. Mas, com as regras de sempre, não é?

Williams suspirou. "As regras de sempre" significava que, os dois iriam ouvir a informação, e se fosse interessante, teriam que ouvi-lo contar uma história intricada com uma complexa narrativa sobre como ele ouviu a informação. Por isso Mulder sempre dizia que o maior crime do Aranha nem era o trafico de drogas, o maior crime do Aranha era ser incorrigivelmente chato.

Williams: Certo. Regras de sempre.

Aranha: Muito bem. - Ele sorriu, confiante que o que tinha para dizer era coisa quente. - Trouxe o livro que pedi? - Mulder mostrou a cópia de "A Criança que o Demônio Levou". - Ela apareceu.

Williams: Quem?

Aranha: A menina. Ela apareceu.

Williams olhou nos olhos do Aranha tentando entender os motivos daquele idiota tê-lo feito dirigir até aquele lugar esquecido por deus só para dizer que um sequestro de 7 anos atrás foi resolvido, e se conteve para não soltar um "grandes merdas". Só virou as costas e começou a andar.

Williams: Vamos voltar para a central, Mulder.

Aranha: Vocês não entendem! - Eles não pararam de andar. Já se aproximavam da porta quando o aranha gritou. - Ela não envelheceu! - Williams e Mulder olharam para o Aranha sem acreditar no que acabaram de ouvir. - Sete anos desaparecida, e não envelheceu nenhum dia.

Williams suspirou. Parecia que ele iria mesmo ter que ouvir uma história do Aranha essa noite.

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Scorpion em Ter Jan 28, 2014 5:14 pm

Alan: Eu ganhei uma fortuna com a desgraça da minha família. Joguei um belo casamento e todo o meu caráter no lixo por alguns milhões de dólares e noites vazias. Não duvide de quão louco e idiota eu posso ser, senhor!
Alan continuou irado com o homem e nem o detetive Eliot conseguiu acalmá-lo.
Alan: Ela tem…. tem 7 anos, seu canalha! Já disse que você não vai levá-la! O que o Serviço Secreto pode querer com uma criança? Você não ouviu o detetive? Onde está a porra do seu mandato?
Melaine começava a chorar e a pedir para o pai socorrê-la, assim como Judith. Por um momento, parecia que o casal não mais se odiava e Alan até esqueceu que estavam divorciados há anos.
Alan: Calma, querida. Eu não vou deixar ninguém levar o nosso anjo…
Ele então voltou a gritar, tanto que avermelhou e quase perdeu o ar.
Alan: Você não vê que ela me reconhece como pai? Não seria muita coincidência? Se realmente resta a merda de uma dúvida, nós faremos um teste de DNA pra provar a identidade de minha filha! Também tem as impressões digitais dela que podem ser checadas aqui e agora! Eu não vou ensinar você a fazer o seu trabalho, mas você não vai levar a minha filha daqui! Não vai, ouviu? Eu não ligo pra quem você é e nem se irei passar o natal numa prisão federal! Pra onde essa menina for, eu e minha esposa iremos juntos, e a única forma de você me impedir é atirando em mim!!! E eu acho que não tem balas suficientes na merda dessa delegacia pra me pararem! Então, deixe a minha família em paz!
Alan não sabia de onde vinha toda aquela coragem. Ele protegia a filha como um leão protegia os seus filhotes. Nem mesmo Judith já havia visto seu ex-marido tão agressivo daquela forma.
Sem intenções, Alan pegou a mão de Judith e a apertou, enquanto com a outra passava a mão na cabeça de Mel.
Alan: Não se preocupem… não vou deixar que nada nos separe. Eu juro!

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Leo Rocha em Seg Fev 03, 2014 2:37 pm

O suor escorria do seu rosto. Era o pesadelo de novo. as lembranças da ultima vez que viu seus pais. Do momento em que as trevas tocaram sua vida. Ele o tinha constantemente e o detestava a cada vez, mas isso fazia parte dele e lhe lembrava da missão que escolhera. Ou será que a missão o tinha escolhido?

 Arrow Alan Fraid deixou o local sem dar entrevistas. Sua assistente disse que ele teve que tratar de assuntos particulares, mas não entrou em nenhum detalhes. Enquanto isso, a premiação continua acalorada, quando o vencedor do prêmio de "Melhor Decapitação" deixou todos (com o perdão do trocadilho) de queixos caídos ao...

Ele olha para a televisão e percebe qual o programa que estava passando. Ele sacode a cabeça enquanto desliga a TV. Quando você vê essas coisas na vida real, fica irritado facilmente com alguns erros homéricos que aparecem nas "obras" premiadas. Havia muito trabalho. O mal não parava de acontecer no mundo e Samuel tinha o seu quinhão para combater. Ele olha a pilha de papéis na mesa e a foto. Um retrato que lembra a ele de uma felicidade vivida em outra vida.

 Arrow Eu também não tenho paciência para essas coisas.

Samuel reconhece Mulder ao olhar para a origem da voz. Ele o cumprimenta e diz:

 Arrow Andou pegando umas aulas de espionagem com o canceroso? Não se chega assim perto de um homem armado... Mas até que o café te redime dessa.

Ele me entrega o copo de café e diz que temos coisa pra fazer. Meu "tipo de coisas", ele deixa bem claro. Eu bebo o café, quente como o inferno e engasgo um pouco com ele. Droga. É nesse momento que vejo o livro de Alan Fraid na mesa dele. Isso gera uma discussão entre nós que culmina numa piada cretina sobre autoasfixia e possessão. Se não fosse o Mulder sendo Mulder, essa conversa terminaria mal. Mas esse cara é quase tão doido quanto eu e ganhou meu respeito através dos relatos de Steve. Aliás, foi muita sorte ter conseguido a vaga quando anunciaram o retorno dos Arquivos X. Mais sorte ainda ver que Mulder havia sido readmitido no comando da seção.
A discussão acaba quando ele cita o Aranha. Céus, como eu detesto esse cara! O Aranha é daqueles que se acha a fonte de toda sabedoria. Infelizmente é uma das nossas melhores fontes e isso não dá pra ignorar... Ainda mais quando tem haver com a garota Afraid desaparecida...

******************************

No carro seguimos conversando sobre amenidades:

 Arrow E a scully? Como tem andado a vida de casados depois que você retornou? Eu pensei que ela voltaria junto com você. Mas parece que ela realmente está gostando mais de clinicar. Tem visto Dogget e Reys?

*******************************

Entramos na casa do Aranha e toda aquela decoração exagerada salta aos olhos. Eu nunca me acostumo com isso, mas faz parte do jogo.

 Arrow Se não são minha dupla americana favorita, depois de Bonnie e Clyde.

 Arrow Se não é meu africano favorito, depois do Simba!

 Arrow Muito engraçado, Mulder

Eu não tenho tempo e nem paciência pra continuar essa brincadeira:

 Arrow  Hoje eu não tô bem, Aranha. Vamos direto ao ponto, certo?

Ele então nos faz prometer seguir as regras de sempre: uma informação por uma história. O problema é que as histórias do Aranha são famosas por serem longas e muitas vezes detalhadas demais. É então que ele conta do reaparecimento da garota. Eu o encaro tentando entender porque tivemos que vir aqui para ouvir algo que está em todos os canais de TV. É então que ele solta a bomba: a garota não envelheceu durante o tempo que ficou sumida. Eu sento novamente na cadeira onde estava e digo:

 Arrow Ok. Você conseguiu minha atenção, Aranha. Espero que não desperdice nosso tempo e vá direto ao assunto. E por favor, conte uma história interessante desta vez.

Nós ouviríamos tudo o que ele tivesse a dizer e em seguida iríamos localizar o paradeiro da criança. Aprendi que algumas coisas só podem ser validadas quando as vemos nós mesmos.

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Nasinbene em Qui Fev 06, 2014 9:45 pm

E lá vamos nós de novo... Ao invés do engomadinho me dar respostas diretas resolveu que era mais bacana bancar o tipo misterioso mais um pouco e esticar o drama... Saco, Agatha Christie deve estar dando um duplo twist carpado no túmulo nesse momento de tanta curiosidade... Eu que to pouco me fodendo pra essa porra toda já admito que to bastante curioso pra saber qual é a desses caras... E qual é a da duble de Linda Blair... Não é possível que o cretino do Fraid ainda não tenha se ligado que algo ta muito errado por aqui... Bom, quanto a mim... Vamos ver que merda isso vai dar...
Me preparo pra seguir o cara até o carro quando sou novamente detido por John. Quando foi que esse zé ruela ficou TÃO meu amigo assim? Se eu fosse do tipo emotivo, ficaria com os olhos cheios d'água... Como não é o caso:

- Plano, cara? Acha mesmo que tenho algum plano? O último plano que fiz foi cruzar o país de carro com minha família e ce viu a belezinha de plano que foi... Não cara, não tenho plano nenhum... Volta pro teu bar, John... sai fora dessa merda enquanto ce ainda consegue. Pelo que eu to vendo, eu já to enrolado até o pescoço. Então, vou com esse cara sim... Se, por algum motivo eu acabar me fodendo, tanto melhor... não venho me matando um pouquinho por dia no teu boteco mesmo? To com o modo "foda-se" ligado a um tempão... Vai nessa, cara... deve ter outros bebuns por aí precisando um barman fodido que nem você...

Curiosamente, to sorrindo pra esse ensebado do caralho... Tsc, vai entender... meu cérebro deve ter virado uma conserva mesmo... Bom, mas deixa isso pra lá. Me desvencilho de John e vou tratar com o grego. O cara ta me esperando e sem mais cerimônia mando logo de cara:

- Tá certo, maluco conseguiu minha atenção. Agora, ou ce me dá uma resposta agora ou nem fodendo que arredo o pé daqui. Quem é você, cara? Qual o interesse de vocês na menina? Já deu no saco esse mistério todo... E ja vou te avisando: eu pude entender o que ce falou de mim e já te digo que insignificante é o caralho... e então... vamos conversar na boa ou o que?

Vou pressionar esse cara até arrancar algumas respostas... Vamos descobrir onde vai dar essa canoa furada...
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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Drako em Qui Fev 06, 2014 10:42 pm

“Pode me chamar de Ouw”

Ouw? Que porra de nome é esse? Nunca ouvi alguém chamado assim, deve ser apelido ou algo do tipo, mas isso não importa. O que importa é que estou tentando de todas as forças impedir que o “Ouw” aqui leve a menina.

Alan Fraid obviamente não me ajuda. Ele é um cara meio franzino e não mete medo em ninguém, mas tem um pavio bem curto. Provavelmente deve ser fichado na polícia por agressão. Porém, ao chamar Melaine de filha o nosso camarada bem vestido finalmente mudou a expressão em seu rosto.  Claramente ele se irritou com o fato do Fraid continuar tratando a menina como se nada tivesse acontecido.

Melaine tem o aspecto de uma menina de 7 anos de idade quando deveria ter 14, isso sem contar o fato de ter estripado um drogado a poucas horas atrás e o filme de horror que vimos agora pouco. Não, a menina não é normal. Essa é a primeira conclusão que devemos tomar daqui para frente. Infelizmente é a verdade, mas isso não vai me impedir de tentar fazer com que esse almofadinha não a leve. Já vi filmes o suficiente para saber que ela vai ser levada para qualquer Hangar 51 da vida para ser estudada.

Ouw:
Não me faça perder tempo, filho.  Olha, você parece um bom sujeito. Me faz lembrar do meu filho. Por que não encerramos essa conversa agora, ok? Eu VOU levar a menina.

“Filho”. A maneira como esse cara me chama de filho me irrita. Sou um homem de 50 anos, não tenho mais idade para ser chamado de filho por nenhum velhote que não seja meu pai. Enquanto isso, Alan continua a disparar merda pela boca. Eu, que já estou irritado, perco a paciência.

Puxo Alan pela gola da camisa, o levanto e pressiono contra a parede. Ele vai perceber que estou irritado o bastante para não tentar nenhuma gracinha, e que também estou irritado porque ele não está me ajudando a ajudar a filha dele! Escuto Judith gritar, enquanto olho fixamente para os olhos esbugalhados dele. Ele é corajoso, mas não esperava por essa. Uso um tom calmo, mas com uma cara enfurecida.

Elliot:
Escute aqui, Sr. Fraid. Eu estou fazendo de tudo para tentar tirar sua família dessa situação, mas quero que saiba que AINDA está em uma maldita delegacia, e se continuar fazendo ameaças a qualquer pessoa aqui, eu serei obrigado a prendê-lo. E ser PRESO é a última coisa que você vai querer numa noite animada com essa, não é mesmo? -- Aproximo meu rosto do ouvido dele e sussurro. – Se esse cara sair daqui com a sua filha, nós vamos atrás dele. Minha parceira já está no carro. Acalme-se. Não vou deixar essa menina na mão outra vez.

Solto a camisa dele. Dou um sorriso enquanto vejo a gravidade coloca-lo de volta ao chão dos 20 cm que eu o levantei. Me volto para o Ouw.

Elliot:
Senhor “Ouw”. Faremos o seguinte. Minha advogada está vindo para cá. Caso esteja tudo certo com o Mandato, o senhor poderá levar a menina. Mas gostaria que me respondesse. Qual o interesse do FBI nisso tudo?

Estou confuso, não sei o que fazer. Eles estão acima da minha alçada. Não quero deixar com que a garota seja levada dos pais, mas não sei como sair dessa. Deixei um plano B, para segui-lo caso Melaine vá com eles, mas também tenho que pensar em algo para que a menina saia daqui com os Fraid. Pode custar minha carreira, mas talvez eu seja obrigado a deixar a família fugir. Não, isso não vai resolver nada. Eles serão perseguidos, a vida deles vai acabar de vez.

Merda... preciso de um Whisky.


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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Scorpion em Ter Fev 11, 2014 3:29 pm

Alan toma um susto com a atuação de Elliot, olhando com olhos marejados de lágrimas raivosas para ele, para Owl, para ele, para Owl, e finalmente para ele. Alan assente com os olhos e entra na atuação.
AF: Es… está bem, detetive...
Apesar de magro ele dá uma pancada um pouco agressiva, para que Elliot possa soltá-lo e resolve encenar também.
AF: Me largue, seu cretino! Isso não vai ficar assim, ouviram? Não vai mesmo! Eu tenho advogados… tenho gente poderosa que pode cuidar das minhas costas! Eu vou agora mesmo ligar para os meus advogados!
Alan saca se celular e finge estar a ligar para os advogados, mas fica prestando atenção na conversa dos detetives, enquanto algumas vezes tira o celular da orelha e o olha com raiva, resmungando como se o advogado não atendesse. Então, leva-o a orelha novamente e continua a ouvir a conversa...

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Phelipe Peregrino em Qua Fev 12, 2014 9:42 pm

Por um instante, Alan Fraid sentiu um palpável medo escorrer por sua espinha. O medo mesclado ao cancerígeno desespero da perda de sua filha. Aquela dor que já sentira antes - a mesma dor que o consumiu e o transformou no amargurado filho da puta que hoje ele é - e que, da primeira vez achou que era parcamente suportável, agora rasgava-lhe o peito como uma serra cega abrindo uma ferida infeccionada.

Sim! Aquele homem. Aquele desgraçado com o nome mais patético do mundo e um jeitinho prepotente de chamar a todos de "filho" exibia um sorriso inalcançável enquanto dizia com frieza que iria levar seu bebê de suas mãos. Não. Alan Fraid sentia a angústia do momento se tornando uma eternidade agonizante e via seus erros se repetindo. Se viu, mais uma vez brigando com Judith nos meses que sucederam o desaparecimento de sua querida garotinha. As noites de álcool e os momentos em que ele mal poderia se considerar humano. O limiar do desespero onde ele começou a dar vida à "A Criança que o Demônio Levou". Lembra-se das primeiras linhas do romance, claro:

"Minha filha era, até que provem o contrário, a criança mais linda do mundo... Até que o demônio a tirou de mim."

É, foram palavras cruéis. Cuspidas por uma mente moribunda que já não suportava mais a dor da perda. E queriam que ele sentisse essa dor mais uma vez? Pro inferno!

Sim...

Pro inferno!

***
Fazia calor naquela noite. Mesmo que se passassem 50 anos, Samuel Williams acreditou que se lembraria de cada detalhe daquela noite, desde as respostas ácidas de seu parceiro no trajeto até o aroma adocicado do salão de jantar do Aranha.

Fox Mulder: Tá querendo me dizer que a menina não estava morta? - Mulder interrompeu a minuciosa narrativa do Aranha, despertando Samuel do que quase poderia ter se confundido com um transe - Por acaso você sabe como é difícil fazer os outros acreditarem na sua morte? Só um homem conseguiu isso: Elvis.

Aranha: Não é tão simples, Agente. - O Aranha sorriu. Samuel sempre se surpreendeu na forma irritante como as histórias do Aranha eram cativantes. De uma forma crua, mas perfeitamente plausível, o Aranha parecia fazer parte de tudo, como se o mundo todo fizesse parte de uma... Teia. Uma teia que conectava a todos e todos estavam conectados ao Aranha. Ele sempre tinha uma história, divertida ou cruel, trágica ou emocionante... Seja como fosse. Ele sempre tinha uma história. Era como se... Todas as histórias fossem histórias do Aranha. - Isso não é só uma história de conspiração.

Williams: Não adianta, ele vê conspirações até em piquenique de igreja.

Mulder: De que igreja você está falando?

Aranha: A menina--O Aranha levantou o tom de voz para interromper os dois agentes. - ESTAVA morta. Até noite passada. Então... "Puf" ela apareceu. Bem na hora em que o pai dela subia no palco e aparecia na TV para dizer ao mundo que, sim, a filha dele foi levada por um demônio. É o que eu chamo de "ironia".

Mulder: O quê?

Aranha: Bom... - O Aranha começou a gargalhar estrondosamente. - Justo quando ele, em rede nacional, disse pra todo mundo que o demônio arrastou sua filha... - Voltou a rir de forma a escorrer lágrimas pelos cantos de seus olhos, e Samuel Williams não gostou nada daquela risada. - O demônio mandou ela de volta!

***
Mac: Tá certo, maluco conseguiu minha atenção. Agora, ou ce me dá uma resposta agora ou nem fodendo que arredo o pé daqui. Quem é você, cara? Qual o interesse de vocês na menina? Já deu no saco esse mistério todo... E ja vou te avisando: eu pude entender o que ce falou de mim e já te digo que insignificante é o caralho... E então... vamos conversar na boa ou o que?

O homem com prendedor de gravatas em forma de raio o olhou visivelmente surpreso e abriu um sorriso discreto.

????: Você fala grego antigo, Mac? - Ele cruzou os braços diante do peito. - Aquele filho da mãe estava certo sobre você, afinal.

Mac sentiu a fisgada na cabeça, típica da abstinência que a bebida lhe fazia quando passava mais de duas horas sem beber. Vontade de vomitar e as mãos tremendo, felizmente ainda tinha um pouco da merda com gosto de mijo que John Locke tinha trago até ele. Bebeu e aquilo acalmou sua mão trêmula. Mas, ao mesmo tempo, ouviu os gritos carbonizantes de sua esposa entre as ferragens. Sentiu o cheiro nauseante de carne queimando, e o estômago embrulhou.

????: Você não parece bem, Mac. - O homem se aproximou, mas Mac não sentiu nada de genuíno em sua preocupação. Pelo menos, aparentemente.

Tudo girou e, por deus, ele sentiu as pernas tremerem. Fechou os olhos--
--Abriu. Mas que inferno? Alguém, por favor, faz as vozes sumirem.

John Locke: Mac, cê tá legal?

***
Elliot: Senhor “Ouw”. Faremos o seguinte. Minha advogada está vindo para cá. Caso esteja tudo certo com o Mandato, o senhor poderá levar a menina. Mas gostaria que me respondesse. Qual o interesse do FBI nisso tudo?

Ouw: Ora, filho. - Elliot começou a ter certeza de que o homem sabia que estava irritando-o ao chamá-lo assim, e tinha certeza de que ele estava dando mais ênfase à palavra. - Tenho certeza de que você entende o que "confidencial" significa, não é? Escute--

Alan: Isso não vai ficar assim, ouviram? Não vai mesmo! Eu tenho advogados…

Merda! Como pode esse sujeito ser tão--Elliot sentia vontade de socar a cara de Alan Fraid. Fazer com que ele entendesse que isso aqui era a vida real, não um show ridículo onde as pessoas armam sustos, ou livros ainda mais ridículos que tripudiam nas tragédias alheias. Mas, ainda assim, não conseguia entender porque estava com tanta raiva de Alan Fraid. Nunca gostou do cara, era verdade, e ver seu olhar perdido e patético na TV, muitas vezes, era o suficiente para acabar com o resto do seu dia. Mas, caramba, o sujeito estava tentando impedir que tirassem a filha dele. Não teria ele mesmo reagido de tal forma?

Ouw: Sua advogada vai levar, o quê? 30 minutos? Uma hora? - Ouw olhava bem nos olhos de Elliot, e o detetive pode notar o olho de vidro que dançava em uma de suas órbitas. - Não tenho esse tempo todo, filho. Ela vai chegar, conferir o documento e me deixar ir com a menina. E o poderoso sr. Alan Fraid ali - apontou com o polegar - e seu vasto exercito insignificante de advogados vai ter que amargurar o desgosto de ter que se contentar em me ver carregar a menina, e, de quebra (eu chamaria isso de bônus do "não-se-meta-com-quem-não-deve") vai ter que tirar o mandado tão fundo do próprio rabo que ele vai levar uma semana para conseguir cagar outra vez. - O homem colocou as mãos no ombro de Elliot e fez um gesto firme para limpar seus ombros com as costas da mão, e surpreendentemente, isso o fez se sentir melhor. - Olha, filho, todos nós temos um longo dia de papelada pela frente, e acredite quando digo que estou te livrando de um rojão dos infernos.

Era tentador. A fala suave e firme. Os gestos calculados. Tudo era tentador. Elliot quase se ouviu dizer: vai, leve a menina. Tudo vai ser melhor sem ela aqui. Não fosse pela voz que dizia que isso era errado. Que ela não deveria sair dali com ninguém exceto os Fraid's. Mais do que isso. Ele não PODIA deixar que ela fosse com o homem que dizia se chamar Ouw.

***
Alan: Eu vou agora mesmo ligar para os meus advogados!

Levou o telefone ao ouvido, fingindo ligar... Mas seu peito doía de desespero pela possibilidade de sua bebezinha escorregar pelos seus dedos novamente. Melaine estava abraçada com Judith nos fundos da delegacia. Ela parecia tão frágil. Tão dependente de seu abraço. Nunca fora um ator, mas usava-se de tudo que sabia em mentiras para convencer que estava ligando para seus advogados. Foi quando sentiu o telefone vibrar. Travou por um momento, agradecendo por ter colocado o telefone no modo silencioso para a cerimônia de premiação, do contrario, o telefone tocando teria arruinado sua performance.

Duas vibrações. Mensagem de texto. Ele disfarçou. Olhou para a tela do celular.

VOCÊ TEM 1 NOVA MENSAGEM

Pensou em ignorar. Poderia ser qualquer um. Ninguém era importante o suficiente para interromper o que ele vivia naquele momento. Mas, sem saber o porque, seus dedos deslizaram e a mensagem foi exibida no display.

De: NÚMERO RESTRITO
EU POSSO SALVAR SUA FILHA, SR. FRAID.


O celular voltou a vibrar. Outra Mensagem.

De: NÚMERO RESTRITO
NÃO PODE DEIXAR QUE A LEVEM. ELA É IMPORTANTE. E ELES A QUEREM MORTA. PRECISA SAIR DAÍ. EU POSSO AJUDAR. SÓ ME RESPONDA: SIM.



***
Mulder: O que vai fazer, Sam? - Os dois caminhavam de volta ao carro, mas a risada do Aranha ainda ecoava em sua cabeça. - O caso é seu, você sabe, então, me diz o que quer fazer? O Aranha disse que podemos encontrar a menina na 16ª delegacia de Nova York. Não é longe daqui e eu conheço o capitão de lá. Capitão Cragen, comanda a divisão de vítimas especiais. Com o trânsito como está, podemos chagar lá em, sei lá, 15 minutos.

Samuel olhou seu parceiro e respirou fundo. Os dois entraram no carro praticamente ao mesmo tempo, Fox ao volante sorrindo com ar de superioridade.

Mulder: E então?

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

Mensagem  Scorpion em Qui Fev 13, 2014 6:03 pm

Os dedos de Alan tremiam enquanto ele segurava o telefone. Ele chegou a pensar em pegar a arma de Elliot e disparar quantas vezes fossem necessárias em Own, mas Alan sabia que aquilo não daria certo. Ele já havia tomado a arma da detetive Olivia para estourar o vidro e Elliot era experiente, provavelmente a arma ficava travada no coldre e até que Alan descobrisse como tirar a trava da arma, ele já estaria imobilizado e com a situação agravada. Ele não sabia o que fazer… CORRER?! Droga, as pernas de Alan eram muit frágeis e ele nunca ofi um atleta. Não conseguiria chegar até o bebedouro sem ser apanhado. Alan precisava pensar… Elliot parecia estar cedendo.
Foi quando aquela mensagem veio… o celular tremendo quase caiu da mão de Alan. Era uma possibilidade assustadora, mas como não arriscá-la?
Alan digitou lentamente…
S…
I…
M…
e clicou "SEND"
O pequeno envelope apareceu, procurando sinal…. "MENSAGEM ENTREGUE".
Alan não sabia o porque fez aquilo, mas a possibilidade de que algo pudesse acontecer à Melaine o assustava. Ele chegou ao lado do detetive e mostrou o celular com a mensagem. Em seus olhos, Alan dizia… "Esse Own é perigoso. Ele não é quem diz ser".

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Re: Capítulo 1 - "Do que são feitos nossos medos?"

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