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Mensagem  Administrador em Dom Nov 30, 2008 3:33 am

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Capítulo 1 – O Gladiador de Aço

Nossa aventura começa em Smalldale, um vale habitado por singelos camponeses. A principal atividade de sustento dos camponeses de Smalldale era a agricultura, mas as colheitas não estavam prosperando e os habitantes de Smalldale afirmavam que os deuses não olhavam mais por eles. Por meses eles clamaram aos céus em busca de uma resposta. Celebrações e oferendas foram ofertadas aos deuses, mas nenhuma mudança era notada nos campos daquele pequeno vale. Até que um evento mudou o destino de Smalldale.

Uma criança literalmente caiu do céu e foi encontrada por um casal de camponeses. A criança estava coberta por uma pequena redoma, que o casal imaginou ser um trono divino. Para o casal, aquela criança, um menino, era filho de deuses. Como o casal não teve sucesso em gerar sua própria prole, a criança vinda das estrelas foi adotada como se fosse filho legítimo do casal. Além da alegria que a criança oferecia ao casal de camponeses, havia a fé de que a dedicação do casal na criação do menino seria recompensada pelos deuses. O casal também ponderou que a vinda daquele menino das estrelas era como uma resposta as constantes preces dos camponeses de Smalldale. Se o menino era mesmo um presente dos deuses não é possível afirmar, mas é verdade que depois daquela data, os agricultores de Smalldale se depararam com as melhores colheitas que já tinham visto.

O menino foi chamado de Kal, por causa das palavras que estavam gravadas no trono voador em que foi encontrado. No princípio, Kal não parecia carregar o poder dos deuses. Em sua infância, Kal foi um menino franzino e desajeitado. Mas isto não importava para seus pais adotivos, pois para eles, que foram impedidos ter os próprios filhos, aquele menino era como um presente divino. Mas Kal não seria um simples camponês como seus pais adotivos.

O fim da infância marcou o começo de mudanças para Kal. Além das descobertas típicas da puberdade, Kal percebeu que era capaz de realizar feitos prodigiosos. Quando seus pais adotivos notaram tais dons, perceberam que os desígnios divinos estavam sendo cumpridos. Kal tinha força e resistência comparadas apenas aos deuses. Nenhum detalhe poderia escapar aos seus olhos e ouvidos. Em seus olhos também estava o calor de Sollis, o Senhor da Luz. Mas nada se comparava ao dom de voar como as criaturas do ar. Até que os desígnios divinos fossem revelados, os pais de Kal resolveram manter os dons dele em segredo. Seus pais então contaram sobre sua origem e Kal foi informado de que ele foi enviado pelos deuses para garantir um amanhã melhor para os mortais. Uma imensa responsabilidade foi depositada em seus ombros e Kal não tinha certeza se era digno de tamanha confiança. A esperança de todo aquele povo logo estaria com ele. Kal considerou que tinha o dever de fazer algo útil com seus dons e se empenharia ao máximo para retribuir tudo o que já haviam feito por ele. Aqueles foram dias melhores. As descobertas tornaram Kal mais confiante e ele teve o ímpeto necessário para se aproximar de Lana, a Ruiva, donzela que conquistou seu afeto. Tudo parecia fazer mais sentido para o rapaz.

No entanto, a felicidade em Smalldale não seria duradoura. Subitamente o vale foi atacado pelas forças do Reino Bélico. Kal acreditou que aquele seria o momento para provar que era capaz de proteger seu povo. Kal lutou sozinho contra os invasores, pois os camponeses de Smalldale não tinham perícia para lutar contra guerreiros tão poderosos quanto eram os homens do Reino Bélico. Os dons de Kal-El surpreenderam os guerreiros do Reino Bélico e um exército inteiro foi vencido. As espadas dos guerreiros literalmente quebravam em contato com a pele de aço de Kal. Mas Kal também seria surpreendido. Kal não imaginava que havia outros seres prodigiosos como ele. Quando soube que um único homem havia derrotado seu poderoso exército, Mongul, o Imperador do Reino Bélico, foi conferir pessoalmente. Rumores indicavam que a força do Imperador Mongul era oriunda de seu parentesco com os Trolls. Ele reuniu uma tropa e seguiu para Smalldale. No novo confronto, Kal mostrou mais uma vez sua força e derrotou a primeira ofensiva da tropa, mas um ataque repentino do Imperador Mongul minou a resistência do rapaz. Kal tombou diante dos olhares perplexos de seu povo. Após derrotar seu opositor, Mongul queimou todas as casas daquele pequeno vale e escravizou todos os habitantes. Então todos se tornaram escravos no Reino Bélico, inclusive Kal, que se tornou uma grande atração na arena de gladiadores daquele reino cruel e bárbaro.

Ainda que tivesse um poder descomunal, Kal não teve como recusar as lutas na Arena do Reino Bélico. Cada um dos gladiadores presentes no calabouço da arena tinha a mesma origem de Kal. Todos os gladiadores eram os melhores guerreiros de suas respectivas aldeias. O povo de cada um dos gladiadores seria exterminado por Mongul caso as batalhas na arena fossem recusadas por eles. Então Kal se tornou um gladiador no Reino Bélico contra sua vontade. Na arena, Kal usou como brasão, a insígnia encontrada por seus pais adotivos em seu leito divino. O brasão tinha a forma de “S” e o brasão ficava mais conhecido a cada vitória de Kal. Poucos dos gladiadores da arena tinham força suficiente para rivalizar com Kal. Na arena do Reino Bélico, Kal-El se tornou um homem e aprendeu a arte da guerra. O instinto foi seu professor.

Apesar de ter se tornado um guerreiro implacável, Kal ainda demonstrava escrúpulos. Logo ele se tornou conhecido na arena do Reino Bélico por poupar a vida de seus adversários. Um feito que ninguém jamais realizou antes e que desafiava a vontade do Imperador Mongul, que decretou anos atrás que todo gladiador derrotado na arena deveria ser eliminado ao fim da batalha. Por esta razão, a cada batalha de Kal a esperança era preenchida no coração da população do Reino Bélico, composta por escravos e cidadãos tiranizados por seu imperador. A população apelidou Kal de “Gladiador de Aço”, pois todos acreditavam que ninguém seria capaz de derrotar o implacável gladiador de Smalldale. As más línguas diziam que nem mesmo o Imperador Mongul seria capaz de ferir o chamado Gladiador de Aço. Logo o brasão de Gladiador de Aço já estampava as bandeiras dos cidadãos.

Com o exemplo de conduta do Gladiador de Aço, que não se rebaixava nem mesmo diante do poder do Imperador Mongul, a população adquiriu a coragem necessária para exigir melhores condições sociais. A realidade social daquele reino era mascarada pelo entretenimento bárbaro proporcionado pelas lutas da arena. Mas depois da chegada do Gladiador de Aço, não era mais fácil distrair as mentes dos populares, considerando o impacto das ações e palavras do Gladiador de Aço, que ignorava as ordens do Imperador Mongul. O Imperador Mongul precisava retirar o Gladiador de Aço do seu caminho o quanto antes, mas não poderia confrontar o gladiador diretamente, ou correria o risco de transforma-lo em um mártir. Então Mongul arranjou uma luta do Gladiador de Aço com Draaga, o outro gladiador invicto da Arena do Reino Bélico.

A população ficou ansiosa pela luta dos dois gladiadores invictos. Se alguém entre os gladiadores do Reino Bélico poderia derrotar o Gladiador de Aço, este era Draaga, que tinha o sangue dos Orcs. Assim também pensava o Imperador Mongul, que viu naquela luta a possibilidade de se ver livre daquele gladiador rebelde que tanto comprometeu sua imagem e liderança. Se o Gladiador de Aço fosse morto por Draaga em uma batalha trivial, ele não morreria como herói e não haveria martírio, então Mongul não teria que temer uma futura revolta popular. No entanto, o resultado da luta não foi aquele que Mongul esperava, pois o Gladiador de Aço derrotou Draaga, apesar da persistência do guerreiro orc, e mais uma vez o Gladiador de Aço recusou o decreto de Mongul para eliminar a vida de um adversário. Naquele momento, a população teve a sensação de que o Gladiador de Aço era indomável. Mas a celebração foi interrompida quando Mongul ordenou que seus guardas fizessem o que o Gladiador de Aço não fez. Draaga foi eliminado diante de todos. A população do Reino Bélico já havia testemunhado execuções antes, mas aquela foi diferente. Pela primeira vez, aquele povo se sensibilizou com uma morte no campo de batalha, pois o Gladiador de Aço despertou a empatia que estava adormecida dentro de todos eles. Não havia mais apatia e esta era uma constatação que incomodava Mongul.

Mongul adotou uma nova estratégia depois da luta do Gladiador de Aço com Draaga. Ao notar o interesse do herói das massas por Lana, a Ruiva, Mongul encontrou uma fraqueza que poderia ser explorada. Mongul requisitou Lana como sua criada pessoal. Neste período a jovem ruiva foi humilhada constantemente. Logo a notícia chegou aos ouvidos do Gladiador de Aço que exigiu que Lana fosse libertada da função de serviçal. O apelo do gladiador chegou até Mongul, que viu naquela manifestação de fúria e desespero, a comprovação de que a fraqueza de seu inimigo foi encontrada. Em seguida Mongul ordenou que o gladiador viesse até sua presença. Mongul então comunicou que lutaria com o Gladiador de Aço na Arena, e que o Gladiador de Aço deveria perder diante de toda a população. Gladiador de Aço afirmou que jamais desistiria de lutar e vencer. Mas Mongul soube ser convincente ao afirmar que Lana seria violentada e depois esquartejada caso o Gladiador de Aço não fizesse o que foi ordenado. A sua derrota pela vida do seu grande amor. Gladiador de Aço não disse mais nenhuma palavra. Ele que era como o indutor da esperança, agora não tinha mais nenhuma esperança de que poderia mudar seu destino.

A tão aguardada luta foi agendada. Os populares desconfiaram das intenções de Mongul, pois era difícil de acreditar que ele cometeria o risco de enfrentar o Gladiador de Aço, mas ninguém deixou de comparecer. Todo o povo do Reino Bélico estava presente na data da luta. E aquele foi uma oportunidade perfeita para que o Reino Bélico fosse atacado. Enquanto a luta do Gladiador de Aço contra Mongul estava em seu desenrolar, os guardas e soldados que estavam concentrados em sua maioria na arena foram atacados por forças invasoras. Os invasores eram guerreiros do temível exército de Luthor Rex, o Imperador de Metrópolis. Apesar do maior número e força, as tropas do Reino Bélico não foram páreo para a organização militar do exército de Metrópolis. Por toda parte do Reino Bélico o nome “Luthor Rex” ecoava por meio dos gritos de um irrefreável exército.

Logo os dois adversários na arena notaram o que estava se passando, quando os guardas presentes na arena foram abatidos por forasteiros. Mongul ficou perplexo e Gladiador de Aço viu naquela situação, a oportunidade para buscar a tão almejada liberdade dele e de seu povo adotivo. Antes precisava retirar Mongul definitivamente de seu caminho. Então o Gladiador de Aço golpeou Mongul com toda a sua força. Golpes sucessivos deixaram de joelhos, o tirano que tinha sangue de Troll. O estado de Mongul era decadente. Ele foi finalmente derrotado e implorou por sua vida de maneira patética. Assim que Mongul tombou durante o combate, todo o povo de Smalldale correu até seu herói e não havia obstáculo ou guarda capaz de impedir a aproximação. Todos estavam com ele, desde seus pais até Lana e outros. Smalldale inteira se reuniu rapidamente ao redor do Gladiador de Aço e do caído Mongul. Como diziam as lendas de Smalldale, a esperança de todo aquele povo agora residia em Kal. Mas ainda havia assuntos inacabados e embora tivesse vontade de retirar a vida de Mongul, o Gladiador de Aço não o fez, mas sim Luthor Rex que adentrou a arena com parte de seu exército.

Luthor Rex era um indivíduo que emanava majestade. Seus cabelos eram cacheados e ruivos como fogo. Sua armadura era dourada e apresentava um refinamento jamais visto em outra armadura. Naquele instante, Luthor Rex já poderia ser considerado o novo senhor do Reino Bélico, pois toda a resistência foi vencida pelo exército de Metrópolis, orientado pela bem sucedida estratégia militar de Luthor Rex. Mas para tomar aquele reino, Luthor Rex ainda teria que realizar uma tarefa, executar Mongul. Então ele entrou na arena para eliminar Mongul de uma vez por todas. Gladiador de Aço não impediu Luthor Rex. A espada de Luthor Rex foi desembainhada e em seguida, Mongul foi decapitado. Gladiador de Aço desconfiou da presença de Luthor Rex, pois suspeitava que um novo tirano surgiu para subjugar todo aquele povo. A ação posterior de Luthor Rex surpreendeu o Gladiador de Aço, pois o Imperador de Metrópolis discursou para todo aquele povo reunido na arena e suas palavras pareciam indicar o contrário do que se pensava dele.

_Atenção povo do Reino Bélico e povo de todas as aldeias e vales escravizados por Mongul! Daqui por diante todos estão livres e serão bem acolhidos em Metrópolis! Não como escravos, mas como irmãos e cidadãos dignos! Venham comigo para Metrópolis e construam um futuro melhor para suas famílias! Os grilhões acabaram! Todos podemos coexistir em harmonia! Venham colaborar com o progresso de Metrópolis! Vamos crescer e prosperar juntos! Juntos podemos estabelecer uma nova ordem!

A população urrava de alegria com as palavras de Luthor Rex. A derrota de Mongul representava a oportunidade de concretizar os sonhos que eles tanto semeavam. Muitos estavam suscetíveis ao clamor de Luthor Rex, pois o Imperador de Metrópolis surgiu como uma figura paternal que poderia acolher todos os injustiçados. Mas o Gladiador de Aço não se deixou enganar. Ele ouviu relatos de gladiadores da arena sobre Luthor Rex. Ele soube que o Imperador de Metrópolis era um expansionista que conquistava corações e mentes. Agora o Reino Bélico seria anexado ao território de Metrópolis. Apesar de mais sutil do que Mongul, Luthor Rex era um tirano tão terrível quanto. Por saber com quem estava lidando, o Gladiador de Aço reuniu todo o povo de Smalldale para iniciar um êxodo. Luthor Rex notou que o povo de Smalldale iria partir e tentou convence-los do contrário.

_Povo de Smalldale! A mão amiga que foi oferecida para os outros também é estendida para vocês! Unam-se aos cidadãos de Metrópolis em harmonia e prosperidade! Eu lhes garanto que serão bem acolhidos!

Mas o povo estava com o Gladiador de Aço e este não tinha a intenção de atender o chamado de Luthor Rex.

_O povo de Smalldale agora é livre como tu bem distes! Livre para retornar para sua própria terra! Toda a harmonia e prosperidade que precisamos está em nosso vale! E em nenhum outro lugar! Nada mais precisamos ou dispomos!

Então o Gladiador de Aço partiu com o povo de Smalldale. Eles tinham um vale para retomar e muito para reconstruir. Enquanto observava a marcha daquele povo na direção do vale, Luthor Rex despertou uma imensa fúria em seu interior. Ninguém dizia não para o Imperador de Metrópolis. Isto era algo que ele simplesmente não tolerava. Se ele não eliminou o Gladiador de Aço e o povo de Smalldale ali de imediato, foi apenas porque isto poderia comprometer a boa impressão que causou no povo liberto do Reino Bélico e porque não tinha noção do poder de seu adversário. Mas Luthor Rex prometeu para si mesmo que aquela ofensa não escaparia impune. Ninguém deveria ser mais amado e venerado do que ele. Algum dia o povo de Smalldale iria rejeitar aquele gladiador medíocre e rastejaria até Luthor Rex em busca de misericórdia e perdão. Luthor Rex não descansaria até que isto fosse uma realidade. Naquele dia surgiu uma rivalidade lendária que seria contada pelos menestréis por incontáveis primaveras!

A Seguir: O Cavaleiro das Trevas

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