Fabula Sphere

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Fabula Sphere

Mensagem  Dana em Dom Dez 28, 2014 8:45 pm


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Dana

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Re: Fabula Sphere

Mensagem  Dana em Dom Dez 28, 2014 9:11 pm

Ellora observava a cidade de longe, não tinha coragem de voltar mais lá depois que fora exilada para os confins das Terras Vermelhas, onde hoje jaz o antigo Reino de Koval, o Devoto. Bastok havia crescido muito desde que ela partiu, e infelizmente, mudado muito também. Esqueceram-se dos Antigos e perdiam a fé Neles, isso deixava o coração da velha feiticeira apertado, ela sabia bem que mesmo em silêncio os Velhos Deuses não deixavam de lançar seus olhos sobre aqueles a quem deram vida. E toda Fabula era obra deles, todas suas bençãos, assim como todas suas desgraças.

Estava sob um rochedo e lá via parte da cidade formada pelo bisavô de Garnant, o atual soberano de Bastok, um homem ainda jovem, não tinha mais de trinta e cinco anos, contudo, ainda não possuía uma rainha, este fato preocupava sua corte, assim como a mulher que cuidava dos passos de muitos dos iluminados das terras dos três reinos e também fora dos limites. O vento forte bagunçava as mechas avermelhadas que escaparam do capuz, do manto que lhe cobria quase toda face. Ele ainda não havia chegado ao encontro que ela marcou, pensou até que o velho amigo não viria mais. Enganou-se.

- Aqui estou mulher. Que ventos lhe trazem, estimada Ellora? – A voz dele era firme, havia força nele, mesmo o corpo do homem também encapuzado ter mais de sessenta anos, em seu rosto havia as marcas de mais tempo, havia participado de muitas batalhas, de duas guerras e na última delas perdeu o que mais amava, o filho. Os trajes dele eram semelhantes aos de um sacerdote, usava um manto longo de cor marrom escuro, vestia calças de algodão e seus pés estavam protegidos daquela região de pedras e espinhos por botas de cano longo, feita de couro de um Drassil negro. Uma espécie de morcego gigante que vive nas cavernas de cristal em Darmadia.

- Os ventos não são bons, meu caro amigo. Estive falando com Eles, e não estão contentes, ao menos a maioria não está. E você não precisa me perguntar quais os motivos, sabem muito bem do que falo. Os humanos tornaram-se ingratos e não mais fazem orações a quem devem a vida, hoje cultuam novos Deuses, e creem mais no que é feito da forja do fogo e do ferro do que no poder dos que separam os mantos entre os Mundos. – A voz dela era pesada, mesmo sendo feminina, a mulher transmitia pesar em sua fala, e olhava para baixo, continuava mirando seus olhos castanhos esverdeados para a grande cidade formada abaixo daqueles rochedos. O vento continuava a castigar seus cabelos e ao mesmo tempo ecoando por entre os desfiladeiros, semelhante à voz de algum deus perdido que canta numa língua esquecida.

O homem suspirou longamente, baixando os ombros, que pareceram pesar mais com aquelas palavras da velha amiga, ele era velho, isso é verdade, e mesmo assim mantinha vigor fora do comum, fora um bom cavaleiro, e somente ela sabia deste detalhe de seu passado. Amfort, este é o nome dele, o atual, é mais conhecido como o conselheiro do Rei de Bastok, e braço direito dele e trás consigo um grande segredo, que lhe fere o coração. Prometeu a aquela amiga que não contaria nunca, e até hoje nada revelou, agindo na corte do reino que serve com a ajuda das palavras de Ellora. Abaixo dele no comando dos exércitos está Damian Slade, o melhor espadachim que se conhece até hoje. Talvez, ele perca somente para a jovem Azle Lagel, a chefe da Guarda Real. Este são os três nomes em batalha que mais devem ser respeitados em Bastok, devido a periculosidade assim como a lealdade que ambos mantém com Garnant.

- Então você já sabe da busca dele? Sabe o que ele procura e sabe que ele vai encontrar... – Havia tristeza naquela voz, ele sentou numa pedra mais elevada e ficou olhando para o belo castelo que despontava mais ao sul da cidade, como um grande golem de pedra guardando todas as moradas, das mais nobres as mais humildes, já que seu governante não diferenciava aqueles que caminham sob sua proteção, pelas posses e títulos que cada um tem. – Garnant é um bom Rei, mas, é ambicioso e quer o melhor para seu Reino, Ellora, e não vai descansar enquanto não conseguir retomar o antigo esplendor que suas terras tinham na época dos Homens de Metal. O que ele há agora de tecnologia é pouco aos olhos dele, ele precisa de mais, quer expandir e produzir mais, você sabe que as Pedras de Luz não irão durar para sempre, todos buscam por uma nova fonte de energia. – Amfort tentava se explicar, Ellora entendia, e mesmo assim não compreendia o que era tão necessário naquela maldita tecnologia. Ela andou pelas terras de Reinos gloriosos ao longo dos anos que hoje nada mais eram do que colinas de areia acinzentada pelas erupções dos vulcões e carcaças de muitos seres. O melhor que se pode encontrar hoje em lugares assim são vermes gigantes que seguem vitimas incautas e devoram-nas sem nem saberem de onde vieram tantos dentes.

- CHEGA! Pare, por favor... – Ela finalmente olhava para ele, e não havia mais serenidade em seus olhos, como no começo da conversa, havia desespero misturado à raiva. Duas combinações perigosas para uma conversa que não acontecia entre amigos há mais de cinco anos. - Olha para ti Amfort e veja o que fala preste atenção! Veneno sai de sua boca, o que aconteceu para que mudasse tanto? Como pode falar tais coisas, quando sabe que o que ele procura vai voltar a abrir velhas feridas e quem sabe acordar aquelas bestas de metal que tanto nos desgraçaram? – Ela esbravejava agora, mas, não gesticulava, apenas virou-se para ele, continuando em pé, e baixando o capuz que cobria sua cabeça, ela em nada mudou fisicamente, continuava bela como ele a conheceu no lago onde as sombrias irmãs dela viviam. Agora ela parecia crescer diante dele, como se alguma entidade astral tomasse conta de seu corpo e falasse através de sua boca, era como ouvir palavras rancorosas de algum Deus que ele já nem mais cultuava devido à falta de fé, e nem templos mais havia quase. A maioria fora destruído pelo bisavô de Garnant, em meio a um ato de loucura, aliado a ira do próprio povo, pensando eles que haviam sido abandonados a própria sorte.

- Ele não vai parar. E você não pode matá-lo! Sabe bem disso, iria contra tudo que eles criaram, mortais tem livre arbítrio Ellora, e mortais como Garnant não podem ser manipulados diretamente com magia, nem com sua magia, velha feiticeira! – Ele levantava abruptamente da pedra e encarava-a, era um tipo de disputa por espaço agora, e o mais forte venceria, mesmo no fundo ele sabendo que não conseguiria convencê-la ele veio até ali, tinha de tentar ao menos. E estava certo, por mais que ela odiasse saber daquilo, era verdade. O velho cavaleiro tinha razão em suas palavras, nenhum mal podia ser feito para o Rei de Bastok,nem mesmo pelas mãos dos deuses, era este o principal acordo feito entre os feiticeiros mais sábios e o panteão dos Antigos. Ninguém que tivesse o dom de manipular a magia e nem os seres divinos poderiam fazer algum mal para os que detinham em suas mãos a responsabilidade de governar os três dos mais fortes Reinos do Mundo de Fabula, Bastok, Acanta e Darmadia.

- Aquilo vai voltar, sei que vai... – Ela falava com dificuldade, aquela mulher bem conhecia o quando o passado de Fabula foi manchado com o sangue dos muitos fabulanos que morreram nas batalhas. Jovens, velhos, homens, mulheres, crianças, os gatunos, os lupinos, os lagartianos e tantos outros que compunham as fileiras de bravos lutadores que tentaram defender suas pátrias, e principalmente sua liberdade, contra o flagelo dos Homens de Metal. – Eu já posso sentir o cheiro do sangue no ar, Amfort, já vejo novas fileiras de corpos sendo devorados por abutres, vejo as vísceras disputadas por Uhaj’s famintos, àqueles cães infernais, por tudo que é mais sagrado cavaleiro, não permita que ele continue, ele vai acordar uma daquelas forças e dar inicio ao giro mais desafortunado da Grande Roda. – Era uma discussão inútil, e os dois sabiam disso, não terminaria bem se continuassem disputando ao invés de tentar achar uma soluça que satisfizesse os dois lados. Ellora baixou a voz, e retomava o mesmo tom do começo daquela conversa, o de formalidade, como dois diplomatas que era eles deveriam tratar-se. A feiticeira procurava ficar mais calma e espantar aquelas vibrações negativas que seu medo a fazia ter, pois, acabaria sendo perturbada a noite indo por planos nefastos e encontrando seres inferiores, cuja fome por um espírito de luz como o dela é voraz. A feiticeira sabia o quanto Aqueles que Caminham nos Sonhos tem poder, mas, esta é outra historia, e não me cabe contá-la agora.

O olhar da mulher era o do mais puro pesar. Tomou os cabelos nas mãos enrolando-os e fazendo um coque na altura da nuca, meneou o rosto em sentido negativo e puxou o capuz cobrindo novamente a cabeça, ocultando assim de novo parte de seus olhos. Ellora afastou-se dele, dando-lhe as costas, não havia motivo para uma despedida fraternal e amigável, o motivo pela qual haviam se encontrado fora negativo e a sensação de distanciamento entre eles ia aumentando a medida que o Reino de Bastok afundava nas trevas da falta de fé, mais uma vez.

- O Destino desta Terra não esta escrito, feiticeira, mesmo alguém como você não pode crer que há apenas uma saída e que o mal triunfa se for libertado. Decisões erradas nos fazem perder mais do que queremos perder, além de nos tirar, às vezes, quem mais amamos. Contudo, é assim que acabamos tendo mais força e aprendendo que maior que nossos desejos é o amor pela vida, Ellora. Este amor triunfa sobre qualquer mal que possa surgir. – O velho cavaleiro, calou-se enfim, erguendo-se e olhando a silhueta da amiga sumir por entre o um dos véus que ela sabia passar sutilmente sem que ninguém a seguisse ou mesmo percebesse sua presença. Seus pés estavam com dificuldade em pisar no chão, o homem levou a mão esquerda no peito e sentiu seu coração bater fraco, e não era culpa da idade, era sim culpa, tão simples e dolorosa culpa.

Saiu dali e foi até a árvore onde deixara preso seu cavalo, não desejou usar umas das máquinas de transporte, era rústico ainda e tradicional, contudo, cavalgar o fazia sentir-se mais vivo do que nunca, Amfort sentia liberdade quando subia no lombo daquele belo animal de pelagem negra e disparava pelos campos ao redor da cidade maior, de Bastok. O trotar que ecoava no chão lhe dava a sensação enganosa, talvez, de poder ainda ter forças para lutar e vencer, qualquer mal que se colocasse em seu caminho, ele respirava junto do cavalo, e os dois seguiam aquele caminho tão conhecido quanto amado, em uma junção de espíritos digna de ser parte de uma lenda. Ou do começo de uma.
Agora tudo recomeça

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